A retórica da Casa Branca de que o conflito militar com o Irã é algo menor — “small potatoes”, nas palavras do presidente Donald Trump — enfrenta um duro teste de realidade com os números. Um novo relatório do Congressional Budget Office (CBO), o órgão de fiscalização orçamentária do Congresso americano, estima que a operação já custou ao Departamento de Defesa aproximadamente US$ 38 bilhões até o início de agosto de 2026.

O valor, divulgado em reportagem da revista Fortune, representa custos incrementais, como a reposição de munições e equipamentos, além do aumento de horas de voo e consumo de combustível. A cifra expõe a crescente pressão fiscal de um engajamento militar que se arrasta mais do que o previsto, desafiando a narrativa de uma intervenção contida e de baixo custo.

A matemática da guerra

O CBO detalha que a conta mensal do conflito varia conforme a intensidade das tensões. Em períodos de relativa calma, o custo é de cerca de US$ 2 bilhões mensais. Já em momentos de escalada, como os vistos em julho, a fatura sobe para US$ 3 bilhões por mês — ou mais, caso o conflito se agrave. Estes valores são adicionais ao orçamento-base das Forças Armadas e não incluem despesas de outras agências governamentais.

Curiosamente, o valor total solicitado pela Casa Branca ao Congresso em junho para financiar a ação, de US$ 87,6 bilhões, foi significativamente maior do que os custos diretos estimados pelo CBO. O órgão aponta que a parcela do pedido diretamente ligada ao conflito, de US$ 42,3 bilhões, é cerca de 10% superior à sua própria estimativa de gastos do Pentágono até então. A discrepância sugere uma complexa negociação política e orçamentária por trás dos panos.

Retórica versus realidade

Enquanto a máquina de guerra consome bilhões, a administração Trump esforça-se para minimizar a escala da operação. O presidente insiste em chamá-la de “conflito militar”, não de guerra, apontando para o número de baixas americanas — 18, segundo a fonte — como significativamente inferior ao de conflitos recentes como Iraque e Afeganistão. Para a Casa Branca, são “ataques intermitentes”.

No entanto, o impacto financeiro transcende as planilhas do Pentágono. Uma análise da Moody’s Analytics, citada pela Fortune, estimou em junho que o custo indireto da guerra para os lares americanos já seria de US$ 750 por família, ou um total de US$ 100 bilhões, considerando a disrupção nas cadeias de suprimento de petróleo e o aumento dos gastos militares.

O debate, portanto, vai além da semântica de “guerra” ou “conflito”. A questão central é a sustentabilidade fiscal e política de uma operação cujo custo real, tanto para o governo quanto para os cidadãos, parece crescer a cada dia, independentemente da definição que se escolha para ela.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune