A cotação do petróleo Brent voltou a superar a marca de US$ 90 o barril nesta terça-feira, após um ataque reivindicado pelos Houtis do Iêmen a uma refinaria da Saudi Aramco. O evento adiciona volatilidade imediata aos mercados de energia, servindo como um lembrete da fragilidade das cadeias de suprimento globais.
O movimento, reportado pelo Money Times, ressalta como o risco geopolítico, muitas vezes latente, pode reemergir como um vetor primário de pressão sobre os preços de commodities. A questão que se impõe é o impacto dessa nova variável sobre as projeções de desinflação dos bancos centrais, que já lutam para equilibrar crescimento e controle de preços.
O fantasma da inflação energética
A alta do petróleo não é um evento isolado. O mercado já precificava o fim do prazo para um acordo entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear deste último, o que por si só já limitava as perspectivas de aumento da oferta global. A combinação de um choque de oferta, ainda que pontual, com tensões diplomáticas estruturais, cria um piso mais elevado para os preços da energia.
Para economias como a brasileira, a dependência da variação do Brent é direta, impactando desde os custos de transporte até a política de preços da Petrobras. Um patamar sustentado acima de US$ 90 pode forçar o Banco Central a reavaliar a trajetória de queda da Selic, caso a pressão inflacionária se mostre mais persistente do que o antecipado.
Mercados em modo aversão ao risco
A reação dos mercados foi clássica: busca por segurança. Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) avançaram, sinalizando que os investidores exigem maior prêmio pelo risco. As bolsas na Ásia e Europa fecharam majoritariamente em baixa, e os futuros de Nova York apontavam para uma abertura negativa, refletindo o nervosismo generalizado.
No Brasil, o cenário externo se soma a uma agenda corporativa já conturbada. Com o Ibovespa emendando sua décima queda consecutiva e casos de grande repercussão como os pedidos de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia e da unidade da Braskem nos EUA, a aversão ao risco encontra terreno fértil. O capital estrangeiro, essencial para a bolsa local, tende a se retrair em momentos de incerteza global.
O ataque no Iêmen serve como um lembrete de que a estabilidade macroeconômica não depende apenas de variáveis financeiras. A questão que fica para investidores e formuladores de política não é se haverá o próximo choque, mas de onde ele virá e qual será sua magnitude em um sistema já operando no limite da previsibilidade.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





