A gestora de investimentos alternativos Azora, baseada em Madri, anunciou uma ofensiva no mercado italiano com a abertura de um escritório local e um plano para investir €1,5 bilhão em ativos imobiliários e de infraestrutura. A movimentação aprofunda a presença da companhia no país, onde já atua desde 2019, e sinaliza uma tese de investimento focada em nichos específicos.

Segundo reportagem da Forbes España, o capital será direcionado a setores como hotelaria, residências estudantis, logística, data centers e, notavelmente, biometano. A estratégia é clara: em vez de apostar em ativos tradicionais, a Azora busca oportunidades em segmentos com “lacunas estruturais” e que demandam gestão operacional intensiva, onde acredita poder gerar maior valor.

A tese do valor operacional

A escolha dos ativos revela uma estratégia que vai além da simples alocação de capital. Setores como hotelaria, acomodações estudantis e logística não são investimentos passivos; seu retorno depende diretamente da eficiência da operação. Ao focar nessas áreas, a Azora aposta em sua capacidade de gestão para extrair alfa, um diferencial em um mercado de juros mais altos onde a valorização pura e simples dos imóveis já não é garantida.

Essa abordagem é reforçada pela criação de um time local de 12 pessoas, liderado por Simone Palmieri. A presença física é fundamental para executar uma estratégia “hands-on”. Adicionalmente, a gestora destaca um compromisso com critérios ESG, o que explica a incursão em biometano, um pilar da transição energética europeia que combina retorno financeiro com impacto ambiental positivo.

De resorts a biometano

O novo investimento se baseia em um histórico já relevante na Itália. Em 2019, a Azora adquiriu o resort Grand Palladium Sicilia e, em 2021, comprou a Bluserena, segunda maior operadora de resorts do país, com uma carteira de 13 hotéis. O novo capital expande essa base, mas também diversifica o risco, movendo a gestora para além do turismo.

A plataforma Draycott, dedicada ao biometano, é o exemplo mais claro dessa diversificação. A iniciativa não apenas adquire e converte usinas de biogás existentes, mas também desenvolve projetos do zero (greenfield). Este movimento alinha a Azora com uma das maiores tendências em infraestrutura na Europa, posicionando-a como uma investidora na transição energética, não apenas no mercado imobiliário.

O plano de €1,5 bilhão, portanto, não é apenas uma aposta geográfica na Itália, mas uma tese multifacetada. Combina a recuperação do turismo com a demanda por logística moderna e residências estudantis, ao mesmo tempo que se posiciona na vanguarda da infraestrutura de energia limpa. A execução, agora, dependerá da capacidade do time local de navegar as complexidades operacionais de cada um desses setores.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España