O Bradesco BBI revisou suas estimativas e preços-alvo para o fim de 2027 para as empresas de transmissão de energia ISA Energia (ISAE3), Alupar (ALUP11) e Taesa (TAEE11). A análise, conduzida pelos economistas Francisco Navarrete, João Fagundes e Matheus Caruso, destaca o perfil defensivo do setor de transmissão de energia, que pode ganhar atratividade em um ambiente de maior volatilidade. Essa característica é atribuída à combinação de receitas previsíveis, decorrentes de contratos regulados, e à geração de dividendos recorrentes, elementos que conferem uma notável estabilidade aos fluxos de caixa das companhias.

Perfil defensivo em tempos de incerteza

Os analistas do BBI enfatizam que as empresas do setor de transmissão de energia apresentam a maior previsibilidade de fluxo de caixa entre as companhias sob sua cobertura. Essa previsibilidade é sustentada por receitas contratadas e reguladas, além de uma baixa exposição às oscilações da atividade econômica e da demanda por energia. Em um cenário de mercado caracterizado por incertezas e volatilidade, esses atributos tornam o setor de transmissão uma opção atraente para investidores que buscam segurança e retornos consistentes, mesmo que o desempenho acumulado no ano das empresas ISA Energia, Alupar e Taesa tenha ficado aquém do Ibovespa e do índice setorial elétrico.

Revisão de preços-alvo e recomendações

O Bradesco BBI manteve a recomendação neutra para a ISA Energia, com preço-alvo de R$ 34, e reiterou a recomendação neutra para a Alupar, com preço-alvo de R$ 40. Para a Taesa, o banco manteve a recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 40. As revisões ocorrem em um momento de aproximação do primeiro turno das eleições, um fator que pode influenciar o apetite por risco dos investidores. O movimento de preferência por empresas com maior sensibilidade ao cenário doméstico, observado marginalmente, pode ser temporário, abrindo espaço para a reavaliação de ativos considerados mais defensivos.

Diferenças no perfil das companhias

Os analistas do BBI também apontam diferenças importantes no perfil das três companhias. A ISA Energia e a Taesa são vistas como mais adequadas para investidores com foco em renda, devido ao seu histórico de distribuição de dividendos. Por outro lado, a Alupar apresenta uma exposição maior a projetos em implantação e crescimento, o que pode oferecer um potencial de retorno mais elevado, embora com um perfil de risco distinto. É ressaltado, contudo, que um dividend yield elevado não garante, por si só, um retorno total superior, sendo necessário considerar outros fatores como a valorização das ações e o crescimento da empresa.

Implicações e perspectivas futuras

A análise do Bradesco BBI sugere que o setor de transmissão de energia continuará sendo um ponto de atenção para investidores em busca de estabilidade. A previsibilidade de receitas e a capacidade de gerar dividendos recorrentes são fatores cruciais que podem sustentar o interesse no segmento, mesmo diante de um desempenho recente inferior ao de outros índices. A dinâmica de mercado, influenciada por fatores macroeconômicos e políticos, continuará a moldar as avaliações e as decisões de investimento.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney