O banco espanhol BBVA está reforçando sua aposta no mercado corporativo chileno com um produto focado em um ativo essencial: veículos. Através da Forum Chile, sua subsidiária especializada em financiamento automotivo, a instituição lançou em julho a solução “Flotas & Empresas”, desenhada para facilitar a aquisição e renovação de frotas para pequenas, médias e grandes companhias do país.

A iniciativa, reportada pela Forbes Espanha, vai além de uma simples linha de crédito. O movimento do BBVA sinaliza uma tese clara: para capturar o segmento PME, é preciso oferecer um pacote que combine capital, agilidade e mitigação de risco. A estrutura do produto, que mescla serviço personalizado com garantias estatais, serve como um laboratório interessante na América Latina, com potenciais paralelos para o mercado brasileiro.

O modelo por trás do crédito

A proposta do BBVA não se baseia em uma única inovação, mas na combinação de elementos para resolver as dores das empresas. A solução inclui créditos convencionais, taxas preferenciais e, crucialmente, um executivo de negócios dedicado para operações a partir de três veículos. O diferencial, no entanto, está na incorporação de créditos com Garantias CORFO, um instrumento da Corporação de Fomento da Produção que funciona como uma cobertura de risco do Estado chileno.

Essa estrutura é estratégica. Ao utilizar a garantia soberana, o BBVA consegue mitigar o risco de inadimplência inerente ao crédito para pequenas e médias empresas, permitindo processos de aprovação mais ágeis e condições mais favoráveis. É um modelo de parceria público-privada aplicado ao financiamento de ativos, que busca destravar o investimento em capacidade operacional para um segmento que frequentemente enfrenta dificuldades de acesso a capital.

Um espelho para o Brasil?

Embora o lançamento seja restrito ao Chile, a lógica por trás da iniciativa ecoa no ambiente de negócios brasileiro. Aqui, a competição pelo financiamento e gestão de frotas é intensa, envolvendo desde os grandes bancos até gigantes da locação como Localiza e Movida, que possuem braços de serviço robustos para o mercado B2B. A dificuldade das PMEs em obter crédito rápido e sem burocracia para renovar furgões, caminhonetes e veículos de entrega é uma realidade também no Brasil.

O modelo chileno do BBVA serve, portanto, como um estudo de caso. A combinação de um produto financeiro com um serviço de atendimento próximo e o uso de fundos garantidores — como o Fundo de Garantia de Operações (FGO) no Brasil — aponta um caminho para os incumbentes se defenderem do avanço das fintechs. A questão não é se os componentes existem no mercado local, mas quem conseguirá empacotá-los de forma mais eficiente.

O movimento do BBVA é um lembrete de que, no xadrez financeiro, a inovação nem sempre vem de uma tecnologia disruptiva, mas da reconfiguração inteligente de peças já existentes no tabuleiro para servir a um público específico e valioso.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España