A Reuse, startup chilena especializada em programas de trade-in e recondicionamento de celulares e eletrônicos, anunciou a captação de uma Série A de US$ 21 milhões. A rodada foi liderada pela At One Ventures, fundo de São Francisco fundado por Tom Chi, cofundador do Google X. Este investimento marca o primeiro cheque do fundo no Chile e o terceiro na América Latina, sinalizando um forte interesse em soluções de economia circular na região.
Fundada em 2018 por José Tomás Ulloa e Max Sateler, a Reuse já acumula cerca de US$ 27,5 milhões em capital levantado e emprega 120 pessoas. Inicialmente, a empresa focava na compra e revenda de celulares usados nos Estados Unidos para o mercado chileno. Contudo, o modelo de negócio evoluiu significativamente. Atualmente, a Reuse opera nos bastidores os programas de trade-in para grandes nomes do varejo e de marcas de tecnologia na América Latina, como Samsung, Falabella, Coppel e Claro, com atuação consolidada no Chile, México e Peru.
O Mecanismo do Trade-in
O conceito de trade-in, fundamental para a operação da Reuse, refere-se à prática em que um consumidor entrega seu aparelho antigo como parte do pagamento na aquisição de um novo. As lojas de operadoras e fabricantes que oferecem essa modalidade frequentemente terceirizam a gestão desses dispositivos. É nesse ponto que a Reuse entra: ela recebe os equipamentos, realiza diagnósticos precisos com software próprio, recondiciona os aparelhos para revenda com garantia de 13 meses, oferecendo-os a um preço até 30% inferior ao de um produto novo. O modelo é discreto, com a Reuse atuando como a "espinha dorsal" tecnológica por trás das operações de grandes players.
Expansão e Receita em Alta
A empresa fechou 2025 com uma receita de US$ 30 milhões, o dobro do ano anterior, e atualmente fatura cerca de US$ 5 milhões mensais. O mercado mexicano representa 60% dessa receita, seguido pelo chileno com 30%. O novo aporte de capital será direcionado para a expansão regional, com a entrada planejada no mercado colombiano. Além disso, os recursos serão utilizados para aprofundar as integrações tecnológicas com varejistas e marcas parceiras, bem como para o desenvolvimento contínuo de sua plataforma.
Implicações para o Mercado Latino-Americano
A captação da Reuse reforça o crescente interesse em modelos de negócio circulares e na economia de eletrônicos recondicionados na América Latina. O Brasil, com cerca de 257 milhões de smartphones ativos e um volume estimado de 40 milhões de aparelhos usados anualmente, apresenta um mercado com enorme potencial. Empresas como Trocafy (do grupo Allied) e Renov (do Grupo Pitzi) já operam modelos similares no país, indicando que a competição será acirrada. A estratégia da Reuse de atuar nos bastidores pode ser um diferencial, mas a entrada em mercados já estabelecidos exigirá adaptação e forte investimento em tecnologia e parcerias.
Perguntas em Aberto e o Futuro da Reutilização
O futuro da Reuse na América Latina ainda reserva questões importantes. A expansão para a Colômbia é o próximo passo anunciado, mas a chegada ao Brasil, um mercado de grande relevância, ainda não tem data. A empresa também estuda o lançamento de uma vertical de fintech, o que poderia complementar sua oferta de serviços e atrair um novo segmento de clientes. A capacidade da Reuse de replicar seu sucesso em mercados diversos, mantendo a eficiência operacional e a qualidade dos aparelhos recondicionados, será crucial para sua consolidação como líder regional.
A estratégia de captação e expansão da Reuse demonstra a maturidade do mercado de recondicionamento de eletrônicos na América Latina, um setor com grande potencial de crescimento e impacto ambiental positivo. A competição se intensifica, mas o apetite de investidores por soluções sustentáveis aponta para um futuro promissor para empresas inovadoras neste nicho.
Com reportagem de Brazil Valley
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