A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, traçou seu mapa para o mercado de renda fixa no horizonte de seis a doze meses. O seu braço de análise, o BlackRock Investment Institute (BII), está recomendando um foco em títulos soberanos de curto e médio prazo, dívida de mercados emergentes em moeda local e crédito europeu de alto rendimento (high yield).
A tese, detalhada em um relatório de perspectivas de investimento, é clara: em um mundo onde mais de 80% dos títulos globais já oferecem rendimentos acima de 4%, a oportunidade de gerar renda é vasta. O desafio, no entanto, é fazê-lo com seletividade e sem se expor a riscos desnecessários, como a volatilidade de papéis mais longos.
Onde está o valor?
Para a BlackRock, a resposta está nos vencimentos mais curtos da curva de juros. "Nos mostramos mais otimistas em relação aos bônus de curto prazo, onde os rendimentos mais elevados oferecem uma rentabilidade atrativa com menor risco de duração", afirmou Vivek Paul, chefe de análise de carteiras do BII, segundo a reportagem da Forbes Espanha. A lógica é que, com a incerteza sobre a sustentabilidade fiscal em várias economias, os investidores estão exigindo um prêmio de risco maior para carregar títulos de longo prazo.
A gestora argumenta que os investidores podem "garantir uma receita substancial" sem precisar se aventurar nos extremos da curva de rendimento ou do espectro de risco de crédito. O cenário atual permite uma postura mais conservadora na busca por retorno, um contraste marcante com a era de juros zero que dominou a última década.
Emergentes e a seletividade cirúrgica
A aposta em dívida de mercados emergentes em moeda local é um dos pontos mais relevantes da análise, especialmente para o observador brasileiro. A recomendação sugere que o prêmio oferecido por esses ativos é suficiente para compensar o risco cambial e a volatilidade inerente a essas economias. Não se trata, porém, de uma aposta generalizada.
O BII insiste na necessidade de ser seletivo. O relatório menciona que o cenário de risco elevado no mercado de títulos, somado à disrupção da inteligência artificial que cria "vencedores e perdedores" entre as empresas, abre espaço para que gestores ativos encontrem valor. A mesma lógica se aplica à preferência por ativos de renda no mercado privado, como infraestrutura, em detrimento de ativos de crescimento.
Em suma, a visão da BlackRock para a renda fixa não é de otimismo cego, mas de um realismo calculado. A mensagem é que a renda voltou a ser um componente central das carteiras, mas sua captura exige uma navegação cuidadosa entre os riscos fiscais, de crédito e as disrupções tecnológicas que redefinem o valor no mercado global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





