As ações da Braskem (BRKM5) lideraram as perdas do Ibovespa nesta terça-feira, após um choque vindo de sua operação no México. A subsidiária Braskem Idesa entrou com um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, o chamado Chapter 11, para reestruturar uma dívida bilionária.

O movimento não é um evento isolado, mas a consequência de uma operação que já vinha sob intensa pressão. Para a controladora brasileira, o impacto foi imediato, expondo a fragilidade da aposta mexicana e gerando uma crise de confiança que se refletiu no preço do papel e na avaliação de risco da companhia.

O peso da dívida e o ciclo desfavorável

A Braskem Idesa busca reduzir sua dívida sênior de cerca de US$ 2,5 bilhões para aproximadamente US$ 1,6 bilhão. Para viabilizar o acordo, a própria Braskem se comprometeu a aportar US$ 476 milhões, um movimento que injeta capital mas também evidencia a gravidade da situação.

Segundo analistas do Bradesco BBI, citados em reportagem do Money Times, a subsidiária já enfrentava um cenário adverso. A combinação de um ciclo historicamente desfavorável para o polietileno com dificuldades no fornecimento de matéria-prima resultou em um Ebitda de apenas US$ 17 milhões nos últimos 12 meses — uma performance anêmica para o tamanho da dívida.

Contágio e desconfiança no mercado

A reação do mercado foi um reflexo direto da percepção de contágio. O pedido de Chapter 11 da subsidiária foi o gatilho para a agência Fitch Ratings rebaixar a nota de crédito da Braskem de ‘C’ para ‘RD’ (Inadimplência Restrita), um sinal claro de que os problemas da Idesa transbordaram para a saúde financeira da controladora.

A notícia azedou o humor dos investidores, que na véspera nutriam esperanças de que a Petrobras pudesse ajudar a aliviar o capital de giro da petroquímica. A súbita deterioração do cenário mostra a complexidade da situação da Braskem, que agora lida com uma crise em múltiplas frentes.

A reestruturação no México é uma tentativa de estancar a sangria, mas a questão que fica no ar é se será suficiente. Analistas já especulam sobre a possibilidade de uma conversão de dívida em ações na própria Braskem. O Chapter 11 da filial pode ser apenas o primeiro capítulo de uma reordenação mais profunda na estrutura de capital da gigante petroquímica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times