A Braskem confirmou o que o mercado já dava como certo: a petroquímica pediu à Justiça uma recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas que somam US$ 10,9 bilhões. A medida, que já nasce com a adesão de 39,6% dos credores, concede à companhia uma proteção de 90 dias contra execuções enquanto negocia um plano definitivo.

O movimento não é uma surpresa, mas um passo calculado. A proteção anterior, de 60 dias, estava prestes a expirar. A tese da empresa, agora, é usar este novo fôlego para converter o apoio inicial em uma maioria superior a 50% dos credores, condição para homologar o plano. O desafio é executar uma reestruturação complexa sob o olhar atento de seu principal acionista, a Petrobras, cujo envolvimento é visto como decisivo para o sucesso da operação.

Uma crise multifacetada

A necessidade de reestruturação da Braskem não deriva de um único fator, mas de uma tempestade perfeita. A companhia enfrenta um ciclo de baixa global no setor petroquímico, que pressiona margens e a geração de caixa. Este cenário de mercado se somou a uma estrutura de capital já fragilizada, com uma dívida líquida ajustada de US$ 9,4 bilhões e uma alavancagem de 6,74 vezes o Ebitda recorrente ao final de junho.

O passivo bilionário relacionado ao desastre ambiental em Maceió (AL), causado pela extração de sal-gema, adicionou uma camada de complexidade e pressão de liquidez que tornou a situação insustentável. A recuperação extrajudicial, diferentemente da judicial, permite uma negociação mais direta e menos disruptiva com os credores, focada em alongar os prazos de pagamento e capitalizar juros durante um período de carência para aliviar o caixa.

O papel da Petrobras e o caminho à frente

O engajamento firme da Petrobras nas negociações foi apontado como um fator crucial para viabilizar o acordo com este primeiro grupo de credores. Segundo fontes do mercado, a estatal, junto ao fundo Shine I, apoia a medida e sinalizou a possibilidade de participar com aportes de capital caso as metas de recuperação não sejam atingidas. A presença da petroleira na mesa confere uma camada de credibilidade ao plano.

O caminho à frente envolve não apenas a aprovação do plano pelos credores, mas também a potencial execução de uma oferta de ações para fortalecer a estrutura de capital, conforme apurado pela agência Reuters. A queda de quase 7% nas ações da Braskem após o anúncio sugere que, embora o passo seja visto como necessário, o mercado ainda precifica um alto grau de incerteza.

O pedido de recuperação é um avanço, mas a jornada da Braskem para reequilibrar suas contas está apenas começando. Os próximos 90 dias serão determinantes para definir se a rota extrajudicial será suficiente para colocar a companhia de volta em uma trajetória sustentável ou se o caminho será ainda mais árduo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times