Brittany Cavallaro, autora de "Wayfarers", compartilhou em entrevista ao Lit Hub suas visões sobre a escrita para o público jovem adulto, um gênero que exige uma profunda conexão com as complexidades da adolescência. Ela ressalta que, para engajar jovens leitores, é fundamental que os livros compreendam e validem a dualidade de suas experiências, tratando-as com o máximo respeito. Cavallaro descreve sua própria jornada, iniciada em Illinois, como a de uma "pata feia em um pequeno lago", sempre imersa em leituras e escritas. A inspiração para se tornar escritora veio de uma professora que reconheceu e incentivou seu amor pela literatura, um gesto que a autora, agora também professora, carrega consigo.
O poder do reconhecimento e da inspiração
Cavallaro narra a importância de figuras como sua professora, a Sra. Madonia, que ao ler seu trabalho infantil, lhe disse: "Você pode fazer isso. Seja uma escritora." Essa validação, segundo a autora, é crucial para jovens criadores. Atualmente, como professora de escrita criativa, ela se vê em um papel semelhante, dedicando tempo para ler e orientar seus alunos. Ela descreve o ambiente de suas aulas, onde os adolescentes compartilham não apenas suas criações literárias, mas também suas vidas, suas dúvidas existenciais, seus dilemas amorosos e suas visões de mundo. Essas interações, que vão desde vídeos de gatos até questões sobre identidade sexual e o futuro do planeta, alimentam sua escrita e reforçam a necessidade de um diálogo autêntico com esse público.
Escrevendo para quem se vê em palavras
A autora enfatiza que os adolescentes são leitores tanto cerebrais quanto emocionais, e que a escrita para eles deve equilibrar essas duas facetas. "Se você quer que os adolescentes leiam mais, você tem que direcioná-los para o tipo de livro que entende a complexidade de sua experiência e a trata com respeito", afirma Cavallaro. Ela acredita que o ato de encontrar um livro onde se reconhecem, ou parte de si mesmos, é uma experiência transformadora. Essa percepção a impulsiona a escrever obras que ressoem com essa dualidade, com o "interno em guerra com o externo", característica marcante da adolescência, onde a identidade ainda está em formação.
Inovação na forma: "Wayfarers"
Em sua obra mais recente, "Wayfarers", escrita em colaboração com Jeff Zentner, Cavallaro utiliza uma forma híbrida — "um romance em verso e conversa" — para explorar a jornada de seus personagens. A estrutura combina poemas que mapeiam a vida interior dos personagens com diálogos que revelam suas interações e conflitos. Sylvie, uma garota privilegiada em uma viagem de #vanlife pós-formatura, foge de um luto e culpa, enquanto Knox emerge de um culto nômade. Apesar de suas origens distintas, ambos enfrentam o amadurecimento precoce e segredos que temem compartilhar. O encontro deles, desencadeado pelo resgate de um cachorro, leva a uma viagem repleta de segredos, descobertas e a exploração de seus desejos e necessidades.
Um reflexo do presente e um convite ao futuro
Cavallaro declara que "Wayfarers", assim como seus outros romances para jovens adultos, foi escrito para si mesma, para a garota que foi, mas, acima de tudo, para seus alunos. "Para toda criança com olhos ardentes que entrou em meu escritório e disse: 'Isto é quem eu sou. O que você tem para mim?'", explica. A obra busca oferecer o mundo a esses jovens leitores, apresentando narrativas que refletem suas realidades e os convidam a moldar seus próprios futuros. A escrita para jovens adultos, para Cavallaro, é um ato de amor e responsabilidade, um espelho para as complexidades da juventude e um convite à autodescoberta.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Lit Hub





