O Assaí (ASAI3) recebeu revisões positivas de preço-alvo de dois importantes bancos de investimento: BTG Pactual e Bank of America (BofA). Ambos elevaram suas projeções em R$ 5 e mantiveram a recomendação de compra para a varejista. O BTG Pactual, por exemplo, ajustou seu preço-alvo de R$ 11 para R$ 16, com validade até o final de 2027, o que representa um potencial de valorização de 26,5% em relação ao fechamento recente. A equipe de análise, sob a liderança de Luiz Guanais, reconhece que o ambiente de consumo ainda se mostra desafiador, mas identifica os primeiros indícios de um cenário mais favorável.
O Cenário Atual e as Perspectivas
Segundo o BTG, a gestão do Assaí projeta que o terceiro trimestre de 2026 continuará a apresentar dificuldades. Fatores como a restrição do poder de compra dos consumidores, uma inflação de alimentos mais controlada e a pressão sobre os volumes de vendas impactam o crescimento das vendas em mesmas lojas (SSS). A migração dos consumidores para produtos de menor custo, que tem sido um obstáculo para o setor, parece ter atingido seu pico, concentrando a pressão em categorias específicas, como produtos de limpeza. Curiosamente, essa mudança para itens mais acessíveis pode não prejudicar a rentabilidade, uma vez que esses produtos podem apresentar margens percentuais e de caixa superiores às de itens premium. A administração, no entanto, observa sinais de melhora para o quarto trimestre de 2026, especialmente em cidades do interior e em bairros de menor renda. Esse movimento pode ser reflexo do endurecimento das restrições a apostas online, o que, se mantido, pode desviar gastos das famílias para o consumo de alimentos, beneficiando varejistas como o Assaí.
O Impacto da Política Econômica e Juros
O Bank of America, por sua vez, elevou seu preço-alvo de R$ 12 para R$ 17, indicando um potencial de alta de 34,5%. A análise da equipe do BofA destaca que os resultados das eleições no Brasil fortalecem o ímpeto por reformas e aumentam a probabilidade de políticas mais favoráveis ao mercado e de maior disciplina fiscal. Uma perspectiva fiscal mais sólida pode, inclusive, abrir espaço para um ciclo mais agressivo de cortes na taxa básica de juros (Selic), o que representaria um risco positivo para as estimativas de lucro por ação. O banco gringo lembra que, no segundo trimestre de 2026, o Assaí apresentava uma dívida líquida e recebíveis descontados de R$ 12,4 bilhões, correspondentes a 2,81 vezes o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses. O BofA estima que cada ponto percentual de redução na Selic adiciona 6% ao lucro por ação recorrente projetado para 2027 e 4,5% para 2028. Juros mais baixos, combinados com um ambiente de consumo mais propício, podem impulsionar tanto as vendas B2B quanto B2C. Um crescimento de 5% nas vendas em mesmas lojas e uma Selic a 10% poderiam elevar o lucro por ação projetado para 2028 em 10%, comparado ao cenário base do banco (3,5% de SSS e Selic de 11,25%).
Inflação e Outros Fatores de Atenção
Uma inflação de alimentos mais elevada tende a favorecer o crescimento das vendas, mesmo com a possível migração para produtos mais baratos, devido ao impacto nos preços de óleos e grãos, e aos riscos associados a fenômenos climáticos. Outro ponto de atenção é a reestruturação da dívida do GPA (PCAR3), que pode facilitar uma solução negociada para passivos tributários históricos. Caso bem-sucedida, essa medida reduziria as contingências tributárias do GPA e mitigaria riscos para o Assaí relacionados a obrigações herdadas da antiga controladora.
O Que Esperar a Seguir
A combinação de um cenário macroeconômico potencialmente mais favorável, com juros em queda e maior estabilidade fiscal, aliada a sinais de recuperação no consumo e a uma gestão focada em otimizar suas operações e dívida, sugere um caminho de melhora para o Assaí. No entanto, a velocidade dessa recuperação e a capacidade da empresa em traduzir esses ventos favoráveis em resultados consistentes ainda são pontos a serem observados de perto pelos investidores e analistas.
A análise dos bancos de investimento reforça a tese de que o Assaí pode estar em um ponto de inflexão, com perspectivas de crescimento e rentabilidade a médio e longo prazo, mas os desafios de curto prazo e a execução da estratégia serão cruciais para a materialização desse potencial.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





