Para quem observa de fora, uma carreira em uma das gigantes de tecnologia parece uma linha reta ascendente. Na prática, a jornada é quase sempre mais sinuosa. Em um artigo de tom pessoal para o Business Insider, Wainwright Yu, diretor em uma das empresas do grupo das “Sete Magníficas”, narra uma trajetória de oito anos marcada mais por desvios e portas fechadas do que por um plano bem-sucedido.

A história de Yu serve como um contraponto sóbrio à narrativa polida que domina perfis profissionais e anúncios de promoção. A tese é clara: o sucesso em ambientes de alta competitividade depende menos de seguir um roteiro pré-definido e mais da capacidade de “cair para a frente” — absorver os tropeços e continuar em movimento.

O mito da escada corporativa

A carreira de Yu na empresa começou com um paradoxo: foi rejeitado para um estágio de verão, mas meses depois recebeu e aceitou uma oferta para uma vaga efetiva. O primeiro cargo, embora intitulado de gerente de produto, era na prática uma função operacional. Anos depois, já como gerente de produto principal, ele se juntou a uma startup interna que parecia promissora, apenas para ver o projeto ser cancelado em três meses.

O ponto de inflexão veio com sua transferência para uma equipe que ele jamais teria escolhido, trabalhando em um produto cujo potencial ele subestimava. Contrariando suas expectativas, o projeto escalou e foi nessa mesma equipe, que considerava um beco sem saída, que ele foi promovido a diretor. A lição, segundo ele, é que o valor de uma oportunidade nem sempre é visível no presente; o que parece um desvio pode ser o caminho.

Resiliência não é armadura

Yu desafia a visão popular da resiliência como uma espécie de armadura que nos torna imunes à dor do fracasso. Para ele, cada revés foi sentido, mas a capacidade de se reerguer não vinha da busca por um título mais glamoroso ou um projeto maior, mas do propósito de “construir coisas que as pessoas usam e amam”.

O executivo argumenta que a chave foi desapegar-se do caminho idealizado, sem jamais abandonar o objetivo final. A porta do estágio se fechou, a do cargo de produto dos sonhos também, assim como a da startup interna. No entanto, a meta de construir produtos relevantes permaneceu como uma bússola. Essa flexibilidade tática, combinada com uma clareza estratégica sobre o que realmente importa, foi o que permitiu o avanço.

Hoje, seis anos após a promoção, Yu lidera equipes e negócios maiores. A sensação, contudo, permanece a mesma: uma sucessão de tropeços dolorosos e desvios, mas que, em retrospecto, configuram um inegável progresso. Uma trajetória que ecoa a de muitos profissionais no Brasil e no mundo, onde a única constante é a própria mudança.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider