A América Latina enfrenta o desafio de conectar seus sistemas educacionais às demandas reais do mercado de trabalho para impulsionar a inclusão social e o desenvolvimento econômico. Essa é a principal conclusão de um relatório da Fundação CEOE, que ressalta a necessidade de uma colaboração mais estreita entre instituições de ensino e empresas para gerar riqueza e oportunidades na região.

Ignacio Niño, assessor sênior da EY, destacou durante a apresentação do estudo que a formação profissional só se torna eficaz quando está diretamente ligada às necessidades e às oportunidades concretas oferecidas pelas empresas. Ele alertou que, isolada das condições reais do mercado, a formação perde seu potencial de empregabilidade, tornando-se um esforço pouco produtivo. O relatório aponta que o investimento em políticas laborais na América Latina é escasso, representando apenas 0,34% do PIB, o que demonstra uma falta de intensidade nas ações voltadas para a empregabilidade.

Educação como motor de inclusão

A precariedade e a pobreza na região são alarmantes, com taxas de pobreza geral em 27,3% e de pobreza extrema em 10,6%, afetando milhões de pessoas. Nesse contexto, Niño enfatiza que a orientação e o acompanhamento profissional não são serviços secundários, mas sim eixos centrais para programas de formação e empregabilidade. O objetivo é tirar milhões de latino-americanos da vulnerabilidade, com a inserção laboral como ponto de partida, a inclusão como caminho e a inclusão social como meta final.

Fátima Báñez, presidente da Fundação CEOE, reforçou o papel do terceiro setor na criação de riqueza, destacando que a inclusão social e o desenvolvimento empresarial se fortalecem quando o talento individual se conecta com as oportunidades econômicas. As fundações, em sua visão, desempenham um papel vital ao transformar oportunidades existentes em oportunidades acessíveis para um número maior de pessoas.

Colaboração público-privada e adaptação

A colaboração entre o setor público e o privado é vista como essencial para a criação de um mercado de trabalho mais inclusivo, capaz de gerar confiança e um ambiente propício para investimentos. Carmen Planas, vice-presidente da Cepyme, sublinha que os grandes desafios econômicos, sociais e ambientais da atualidade não podem ser resolvidos por uma única entidade. A colaboração entre empresas, fundações, administrações públicas e organizações sociais é fundamental para avançar conjuntamente.

Jaume Gaytán, da Secretaria Geral Ibero-Americana (SEGIB), acrescenta que o futuro da economia não reside apenas na competitividade das empresas, mas também em seu compromisso com a geração de valor compartilhado. A rápida evolução tecnológica e as mudanças nas competências exigidas pelas empresas e nas expectativas dos trabalhadores exigem uma adaptação contínua. Contudo, a aspiração por uma vida digna e um emprego de qualidade permanece como um anseio universal.

O papel das empresas na formação

As empresas têm um papel crucial na definição dos currículos e na oferta de formação prática, garantindo que os programas educacionais estejam alinhados com as habilidades demandadas pelo mercado. Isso não apenas aumenta a empregabilidade dos formandos, mas também garante que as empresas tenham acesso a uma força de trabalho qualificada, capaz de impulsionar a inovação e a produtividade.

A conexão entre educação e mercado de trabalho é um ciclo virtuoso: a formação alinhada gera profissionais mais preparados, que, por sua vez, contribuem para o crescimento e a competitividade das empresas, criando um ambiente mais estável e próspero para todos os envolvidos.

Desafios e caminhos futuros

Embora a necessidade de alinhamento entre educação e mercado seja clara, a implementação efetiva enfrenta obstáculos. A falta de investimento consistente em políticas ativas de emprego, a resistência à mudança em sistemas educacionais tradicionais e a dificuldade em antecipar as futuras demandas do mercado são desafios significativos. Superá-los exigirá um esforço coordenado e um compromisso de longo prazo de todos os atores envolvidos na região.

O futuro da América Latina depende, em grande medida, da sua capacidade de adaptar seus sistemas educacionais para formar cidadãos preparados para os desafios e oportunidades do século XXI. A colaboração entre empresas, governos e instituições educacionais é, portanto, um caminho indispensável para a construção de uma sociedade mais justa e próspera.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España