Uma nova tendência tomou conta do Instagram, especialmente na Argentina: usuários estão recorrendo à inteligência artificial para gerar imagens de si mesmos como se estivessem nos anos 1980. O resultado, com cabelos volumosos, ombreiras e cores neon, viralizou rapidamente, segundo reportagem do jornal argentino La Nación.

Embora pareça apenas mais um filtro divertido, o fenômeno sinaliza um passo adiante na popularização da IA generativa. Não se trata de aplicar uma camada sobre uma foto existente, mas de usar modelos como o DALL-E 3, integrado ao ChatGPT, para criar uma imagem inteiramente nova a partir de comandos de texto, massificando uma tecnologia antes restrita a entusiastas.

Da Edição à Geração

A barreira de entrada para a criação de conteúdo sintético complexo está desmoronando. O que antes exigia conhecimento técnico em softwares de edição ou modelos de IA, agora se resume a um prompt bem descrito. A tendência dos "retratos dos anos 80" funciona como um tutorial informal para milhões de usuários, ensinando-os a interagir com a IA para obter resultados visuais específicos.

O apelo à nostalgia é o catalisador perfeito. A estética oitentista é universalmente reconhecível e visualmente distinta, tornando-a um campo de testes ideal para a IA generativa. A adoção por celebridades locais, como menciona a reportagem, apenas acelera o ciclo, transformando uma curiosidade tecnológica em um fenômeno cultural de massa.

O que hoje é uma brincadeira nostálgica abre a porta para aplicações mais complexas — e ambíguas — da mesma tecnologia no futuro. A tendência pode ser passageira, mas seu efeito é duradouro: cada foto recriada normaliza a ideia de que a realidade visual é maleável e programável, borrando ainda mais a fronteira entre o autêntico e o sintético.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · La Nación — Tecnología