A China, principal destino das exportações de carne bovina brasileira, impôs uma suspensão às importações provenientes do frigorífico da MBRF (MBRF3) localizado em Promissão, no interior de São Paulo. A medida, que entrou em vigor em 22 de outubro, foi comunicada através do sistema Ciferquery SingleWindow, gerido pela Administração Geral de Alfândegas da China (GACC). A razão apontada por fontes do setor é a detecção recorrente de resíduos de fluazuron, um acaricida utilizado no controle de carrapatos em bovinos, mas proibido pelas autoridades chinesas. Este princípio ativo é comumente encontrado em medicamentos veterinários e sua presença em cargas de exportação representa uma violação direta das normas sanitárias estabelecidas pelo gigante asiático.
A MBRF, em resposta à suspensão, informou que já está implementando medidas para mitigar o impacto. A companhia declarou que os volumes de produção destinados ao mercado chinês estão sendo redirecionados para seu complexo industrial em Várzea Grande, Mato Grosso, que possui capacidade para suprir a demanda. Além disso, a empresa conta com outros quatro complexos habilitados para exportar à China, sendo três no Uruguai e um na Argentina. A MBRF também ressaltou que as demais habilitações da unidade de Promissão permanecem válidas, incluindo a autorização para exportar aos Estados Unidos, o que sugere que a questão se restringe às exigências específicas do mercado chinês.
A companhia reiterou que abriu diálogo com as autoridades competentes, expressando confiança na robustez de seus processos de controle. A nota oficial da MBRF busca tranquilizar o mercado e demonstrar proatividade na resolução da questão. No entanto, o comunicado oficial chinês não forneceu detalhes específicos sobre a natureza ou a quantidade dos resíduos detectados, apenas a constatação da presença do acaricida proibido. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (Abiec) declarou não ter sido oficialmente comunicada sobre a suspensão, o que pode indicar que a medida foi direcionada especificamente à unidade da MBRF.
Essa suspensão ocorre em um momento crucial para o setor pecuário brasileiro, que aguarda a abertura de uma nova cota de importação de carne bovina pela China, prevista para janeiro de 2027. A expectativa é que a nova cota possa impulsionar as exportações e atender à crescente demanda chinesa. A resolução rápida da situação da MBRF será fundamental para manter a confiança dos compradores internacionais e garantir o fluxo contínuo de produtos brasileiros no mercado chinês, que representa uma parcela significativa da receita de exportação do país.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





