O mercado brasileiro de cibersegurança está posicionado para um crescimento expressivo, com projeções indicando que movimentará um total de R$ 127 bilhões até 2029. Este avanço é sustentado pela busca incessante por resiliência digital, pela adoção de tecnologias de ponta e pela expansão da força de trabalho especializada. O Relatório de Cibersegurança 2026, divulgado pela Brasscom, associação que reúne empresas de tecnologia da informação, comunicação e tecnologias digitais, aponta que os gastos anuais neste segmento devem crescer cerca de 46% entre 2026 e 2029, saltando de R$ 26 bilhões para R$ 38 bilhões.
Brasil: Um Referencial em Evolução
O estudo da Brasscom destaca o protagonismo internacional do Brasil no cenário da cibersegurança. O país figura no Tier 1, com a classificação de "referência global" no Global Cybersecurity Index (GCI) da União Internacional de Telecomunicações (UIT). Em 2024, o Brasil alcançou 96,4 pontos neste índice, que avalia a estrutura e o compromisso nacional em diversas dimensões, incluindo aspectos legais, técnicos, organizacionais, desenvolvimento de capacidades e cooperação internacional. Paralelamente, o país demonstrou uma evolução notável no National Cyber Security Index (NCSI), com um aumento de aproximadamente 41% em sua pontuação, passando de 50,65 pontos em 2023 para 71,67 em 2025. Apesar dessa melhora expressiva, a posição do Brasil no ranking global permaneceu estável, na 55ª colocação. Esse amadurecimento institucional, contudo, abre caminho para um acelerado investimento, tanto público quanto privado, especialmente considerando que o Brasil ainda destina 6,4% de seu orçamento de TI para cibersegurança, um percentual inferior aos 8% a 12% considerados o padrão médio internacional.
IA como Vetor de Redução de Custos e Aumento de Eficiência
A Inteligência Artificial emerge como um componente crucial na defesa cibernética, com um potencial significativo para mitigar os custos associados a violações de dados. Empresas que integram IA e automação em seus processos de prevenção, detecção e resposta a incidentes registram uma redução de 26% no custo de vazamentos de dados no Brasil. Essa redução leva o custo de US$ 1,6 milhão, observado em empresas sem automação extensiva, para US$ 1,2 milhão naquelas que adotam a tecnologia, o que se traduz em uma economia direta de US$ 400 mil por ocorrência. Globalmente, o uso da IA na cibersegurança pode diminuir os custos em até 34%. No entanto, a rápida expansão dessa tecnologia também impõe a urgência do fortalecimento da governança corporativa. Atualmente, uma parcela significativa de organizações brasileiras, 87%, ainda carece de uma política formal de governança de IA. Além disso, o uso não supervisionado de IA, conhecido como Shadow AI, pode gerar um acréscimo de US$ 109 mil nos custos de violações no Brasil, enquanto vulnerabilidades na cadeia de fornecedores representam um risco que eleva os custos em US$ 320 mil.
Desafios Operacionais e a Força dos Talentos
O cenário de ameaças cibernéticas em constante sofisticação exige um fortalecimento contínuo da infraestrutura digital. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de ataques de ransomware na América Latina, com 141 organizações afetadas, e 346,8 mil ocorrências de estelionato eletrônico, um aumento de 21,1% em relação ao ano anterior. O fator humano continua sendo um alvo preferencial dos cibercriminosos, com o phishing representando um volume de notificações 19 vezes superior ao de malwares. O custo médio geral de uma violação de dados no Brasil atingiu US$ 1,3 milhão, e 76% das empresas levaram mais de 100 dias para se restabelecerem completamente, com 65% delas ainda sofrendo impactos mesmo após a recuperação. Diante desse quadro, a capacitação de talentos em cibersegurança se apresenta como um pilar estratégico. O emprego na área no Brasil cresceu uma média de 18,6% ao ano entre 2019 e 2025, alcançando 8.944 profissionais. Investir em pessoas demonstrou ser financeiramente vantajoso, com empresas focadas em contratação e capacitação conseguindo reduções significativas no custo de incidentes.
Perguntas em Aberto e o Futuro da Defesa Cibernética
Apesar dos avanços e das projeções otimistas, algumas questões permanecem em aberto. A velocidade com que o Brasil conseguirá suprir o déficit de profissionais qualificados em cibersegurança, especialmente em um cenário de crescimento exponencial das ameaças, é um ponto de atenção. A efetividade das políticas de governança de IA e a capacidade das empresas em implementar essas diretrizes de forma robusta também serão determinantes para a mitigação de riscos. Além disso, a colaboração entre o setor público e privado continuará sendo essencial para a construção de um ecossistema de cibersegurança mais resiliente e proativo, capaz de antecipar e neutralizar ameaças emergentes.
O crescimento projetado para o mercado de cibersegurança reflete a crescente conscientização sobre sua importância estratégica para a economia brasileira. A combinação de tecnologia avançada, como a IA, e o desenvolvimento de capital humano qualificado aponta para um futuro onde a segurança digital será um diferencial competitivo e um pilar de confiança para negócios e consumidores.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





