O Citi reafirmou sua recomendação de compra para a 3Tentos (TTEN3), consolidando a companhia como sua principal escolha no setor de agronegócio. Em relatório recente, o banco elevou o preço-alvo da ação de R$ 19,50 para R$ 20, sugerindo um potencial de valorização de 28,4% frente ao fechamento anterior. A revisão ocorre em um momento de ajuste para o papel, que acumula queda recente de 7,68% e recuo de 5% no acumulado de 2026.
A tese do Citi baseia-se em uma leitura otimista sobre a capacidade de execução da empresa. Segundo a instituição, a 3Tentos demonstra resiliência operacional ao integrar novas lojas em regiões estratégicas, como Pará e Goiás, enquanto otimiza a conversão de seus ativos industriais em um cenário de colheita recorde de soja.
O pilar da expansão regional
A estratégia da 3Tentos para elevar sua barreira competitiva passa pela capilaridade. A expansão geográfica para o Norte e Centro-Oeste não é apenas um movimento de ocupação de mercado, mas uma tentativa de aproximar o ecossistema de insumos e serviços dos grandes produtores dessas fronteiras agrícolas.
O processo de maturação, ou ramp-up, das novas unidades é o motor que sustenta a expectativa de margens mais robustas. Ao consolidar sua base de clientes nessas novas praças, a companhia consegue diluir custos fixos e aumentar a penetração de seus serviços integrados, um diferencial importante em um setor sujeito a ciclos de preços de commodities altamente voláteis.
Eficiência industrial e novas frentes
Além da rede de lojas, o Citi destaca a importância da diversificação industrial. A 3Tentos está investindo pesadamente na ampliação da capacidade de esmagamento de soja e no início da produção de etanol de milho. Essa verticalização permite que a empresa capture valor em diferentes elos da cadeia, mitigando riscos de dependência exclusiva da venda de insumos.
Embora o banco tenha revisado para baixo as projeções de preços para biodiesel e etanol, os ganhos operacionais compensaram esses desafios. A projeção de lucro líquido ajustado para 2026 foi elevada em 7%, alcançando R$ 903 milhões, um valor que se posiciona 13% acima do consenso de mercado, sinalizando que a eficiência interna pode superar as pressões macroeconômicas.
Tensões do mercado e stakeholders
Para o investidor, o cenário atual impõe uma reflexão sobre o descasamento entre a visão dos analistas e o comportamento recente da ação. Enquanto o Citi projeta um salto de quase 30%, o mercado tem reagido com cautela, possivelmente refletindo incertezas quanto à velocidade da recuperação dos preços de biocombustíveis e os custos de capital em um cenário de juros ainda elevados.
Para os produtores e concorrentes, o avanço da 3Tentos em Goiás e Pará sinaliza um acirramento na disputa por participação de mercado, o que pode pressionar margens de players regionais menores que não possuem a mesma escala de processamento ou o mesmo nível de integração tecnológica no atendimento ao campo.
O que observar no segundo semestre
A principal dúvida que permanece é a velocidade da conversão das novas plantas de etanol em fluxo de caixa operacional. O mercado estará atento aos próximos balanços para verificar se a eficiência prometida se traduzirá em margens consistentes ou se os custos operacionais da expansão serão mais resilientes do que o esperado.
A trajetória da 3Tentos em 2026 servirá como um teste para a tese de que o modelo de ecossistema integrado é, de fato, a melhor defesa contra a volatilidade do agro brasileiro. O investidor deve monitorar se o otimismo do Citi será validado pelo ritmo de entrega da companhia nos próximos trimestres.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





