A Converse, marca de tênis icônica com mais de um século de história, enfrenta um momento crítico. Com vendas em queda de 28% no último trimestre, a subsidiária da Nike respondeu por 20% do declínio geral da empresa-mãe. Sob a liderança do CEO da Nike, Elliott Hill, a recuperação da gigante do esporte parece estagnada, e a Converse, comprada por US$ 305 milhões em 2003, tornou-se um fardo significativo, levando analistas a questionar sua permanência no portfólio.

Declínio de um Ícone

A Converse, conhecida mundialmente pelo seu modelo Chuck Taylor, atravessa sua pior crise desde os anos 1990. Após atingir um pico de vendas de US$ 2,43 bilhões em 2023, a marca viu suas receitas caírem para US$ 1,17 bilhão no último ano fiscal. Se a tendência de queda persistir, as vendas podem ficar abaixo de US$ 1 bilhão pela primeira vez desde 2010. Analistas atribuem essa derrocada à incapacidade da Converse de inovar e à sua excessiva dependência do modelo Chuck Taylor, que parece ter perdido o apelo junto aos consumidores. "Eles dependem demais de um único item e quando esse item esfria, como está acontecendo agora, não há para onde fugir", afirma Matt Powell, consultor sênior da BCE Consulting. "É um negócio de moda e nada dura para sempre."

O Dilema da Inovação e a Concorrência

A Converse opera de forma independente dentro da Nike, com um CEO próprio reportando a Hill. Embora possua outros modelos, como o Jack Purcell, o Chuck Taylor responde pela vasta maioria do negócio. Essa dependência se assemelha à da Vans, da VF Corp, que também sofre com a saturação de seus modelos clássicos. O mercado de tênis casuais e de lifestyle tornou-se extremamente competitivo, com marcas como Hoka, New Balance e Adidas ganhando espaço ao oferecerem inovações e variações de seus clássicos. A Adidas, por exemplo, tem mantido o Samba relevante com novas versões, um caminho que a Converse parece incapaz de replicar.

Futuro Incerto no Portfólio Nike

A gravidade da situação foi ressaltada por analistas ainda no final do ano passado. "Nunca vimos uma queda de 44% na demanda por uma marca", comentou Laurent Vasilescu, analista sênior do BNP Paribas Equity Research, ao analisar a deterioração das vendas no trimestre encerrado em novembro de 2025. A tendência negativa continuou, culminando na queda de 28% do último relatório, o que levanta sérias dúvidas sobre a natureza cíclica do declínio. Vasilescu não descarta a possibilidade de a Nike vender a Converse. Embora Hill tenha afirmado o foco em "restaurar a saúde financeira" da marca, um porta-voz da Nike declarou que a Converse "continua sendo parte importante do portfólio", sem detalhar planos de recuperação. A Nike já se desfez de outras marcas adquiridas, como Cole Haan e Umbro, deixando a Converse como sua única aquisição remanescente de peso.

Perguntas em Aberto

O futuro da Converse dentro da Nike permanece incerto. A marca precisa urgentemente de uma reformulação que vá além do Chuck Taylor, oferecendo modelos mais leves, respiráveis e alinhados às tendências atuais. Sem uma estratégia clara de inovação e enfrentando uma concorrência acirrada, a Converse corre o risco de se tornar um passivo para a Nike. A recuperação é possível, mas exigirá uma mudança radical na abordagem da marca e, possivelmente, uma reavaliação de sua posição estratégica no mercado global de calçados.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune