A reação do mercado ao balanço do segundo trimestre de 2026 da Copasa foi protocolar: as ações recuaram após a companhia de saneamento mineira reportar uma queda de 4,8% no lucro líquido ajustado, que ficou em R$ 275,5 milhões. O resultado, divulgado na véspera, levou os papéis a uma queda de mais de 4% no pregão de quinta-feira, segundo reportagem do Money Times.
Apesar do tropeço no lucro, a receita líquida avançou 8,9%, para R$ 2 bilhões, e o Ebitda ajustado cresceu 11,7%, somando R$ 762 milhões. Os números, no entanto, são quase um detalhe. A leitura consensual entre analistas é que o desempenho operacional trimestral da Copasa tornou-se um fator secundário. A verdadeira tese de investimento na empresa não está mais no balanço corrente, mas na transição de controle para a Equatorial, no âmbito do processo de privatização.
O balanço em segundo plano
O consenso de mercado, capturado nas análises de casas como Itaú BBA e XP Investimentos, é que a Copasa vive um interregno. O Itaú BBA classificou os resultados como neutros, destacando que o trimestre não impacta a tese central. Para os analistas, o foco dos investidores deveria estar em variáveis estratégicas: a conclusão das renegociações de contratos com os municípios, a visibilidade sobre a trajetória de investimentos (capex) e o ritmo de incorporação desses aportes na base de ativos regulatórios.
A XP Investimentos, que viu o Ebitda ajustado 5% abaixo de suas estimativas, reforça a mesma visão. “Não esperamos qualquer reação relevante do mercado, uma vez que, neste momento, o único fator realmente importante é a nova perspectiva de reestruturação operacional após o processo de privatização”, afirmam os analistas em relatório. O jogo, portanto, não é mais sobre a gestão atual, mas sobre o potencial de destravamento de valor pela Equatorial.
A transição para a Equatorial
O desempenho da Copasa hoje é uma fotografia de uma empresa em vias de ser profundamente transformada. A tese de sucesso da privatização, que já gerou retornos relevantes para investidores que anteciparam o movimento, agora entra em uma nova fase. O desafio é precificar a capacidade de execução do novo controlador em um setor de capital intensivo e com alta complexidade regulatória e política.
A Equatorial é conhecida no mercado de capitais brasileiro por sua disciplina na alocação de capital e eficiência operacional, especialmente em concessões de energia. A expectativa é que a empresa replique seu manual na Copasa. O valor da companhia de saneamento, portanto, será cada vez menos definido por um trimestre fraco e cada vez mais pela taxa interna de retorno implícita que o novo controlador conseguir extrair da operação reestruturada.
O resultado deste trimestre é um retrato da Copasa pré-privatização. O mercado, por sua vez, já negocia as ações com os olhos no futuro, tentando calcular o valor da "nova Copasa" sob a gestão da Equatorial. O teste real não estará nos próximos balanços, mas na execução da estratégia que justificou a privatização em primeiro lugar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





