A chegada de Fabio Schvartsman ao comando da CSN carrega uma missão clara, porém espinhosa: vender ativos para reduzir a dívida de R$ 42 bilhões e colocar a alavancagem da companhia em uma trajetória sustentável. O mercado observa com atenção, mas também com uma dose considerável de ceticismo, a execução de um plano que parece inevitável.
A peça central do quebra-cabeça é a CSN Cimentos. A divisão, um dos ativos de melhor performance do grupo, está na vitrine com uma avaliação que pode chegar a R$ 11 bilhões, segundo reportagem do Money Times. O dilema, no entanto, é evidente: para pagar as contas do presente, a CSN pode ter que abrir mão de uma de suas principais fontes de receita do futuro. É a clássica estratégia de encolher para sobreviver.
A matemática da desalavancagem
Os números mostram por que a desconfiança persiste. O plano de desinvestimentos da CSN mira arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. Mesmo que a companhia consiga executar a venda da Cimentos e de outros ativos, como sua operação de infraestrutura e a siderúrgica na Alemanha, a conta não fecha por completo. A alavancagem, que hoje orbita 4 vezes o Ebitda, cairia para um patamar próximo de 3 vezes — ainda longe de um nível considerado confortável pelo mercado.
O custo embutido nessa estratégia é o que mais preocupa analistas. A CSN Cimentos não é um ativo qualquer. A divisão reportou crescimento de 45% no Ebitda em um ano, com margens superiores a 30%. Vender a "galinha dos ovos de ouro" para abater a dívida é uma decisão que resolve um problema no curto prazo, mas cria outro a longo prazo: a diminuição da capacidade de geração de caixa do grupo consolidado.
O fator China e o ceticismo do mercado
Como se o desafio financeiro não fosse suficiente, a CSN ainda lida com a concorrência do aço chinês, que inunda o mercado global e pressiona as margens. Recentemente, contudo, medidas de defesa comercial adotadas pelo governo brasileiro trouxeram algum alívio, permitindo que as siderúrgicas locais recuperem parte do volume de vendas, ainda que sem um aumento expressivo de preços. O problema central, portanto, segue sendo o financeiro.
A troca de comando é vista como um catalisador. O BTG Pactual, por exemplo, chegou a apontar uma oportunidade tática de compra, esperando uma alocação de capital mais disciplinada sob a gestão de Schvartsman. Ainda assim, o banco manteve sua recomendação oficial como neutra, ecoando o sentimento geral. Um consenso de analistas consultados pela Bloomberg é taxativo: de 15 casas, nenhuma recomenda compra, e a maioria indica neutralidade.
A mensagem do mercado é clara: a chegada de um CEO respeitado é um passo importante, mas não anula a complexidade estrutural da dívida da CSN. A venda de ativos é um remédio amargo e necessário, mas a dúvida que paira é se ele será suficiente para curar o paciente ou apenas para prolongar a sua convalescença.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





