Na sessão desta segunda-feira, as ações da CSN (CSNA3) e da Usiminas (USIM5) lideraram as perdas no Ibovespa, contrastando com recuos mais moderados de outras gigantes siderúrgicas como Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4). A performance divergente sugere que os fatores de pressão sobre CSN e Usiminas vão além da recente desvalorização do minério de ferro, que caiu 0,91% para US$ 104,97 a tonelada na bolsa de Dalian, na China.

Segundo Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, o movimento é concentrado em empresas mais expostas à pressão sobre os preços do aço doméstico e a revisões de margens. Na CSN, a preocupação com geração de caixa e alavancagem também contribui para a volatilidade. Lemos avalia que Vale e Gerdau, por outro lado, apresentam um valor considerado justo, indicando maior estabilidade em seus fundamentos.

Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, complementa que a maior volatilidade de CSNA3 e USIM5 reflete seu beta mais elevado dentro do setor siderúrgico. Por volta das 12h11 (horário de Brasília), CSNA3 recuava 2,52%, cotada a R$ 5,80, enquanto USIM5 apresentava queda de 2,74%, a R$ 6,74.

Aço doméstico sob pressão

Os dados indicam que o cerne do problema reside no mercado doméstico de aço, e não diretamente na cotação do minério de ferro. Lemos aponta que as importações de aço plano registraram um aumento de 12%, elevando a penetração desses produtos no mercado nacional de 17% para 18,6%. Essa entrada de produtos importados pressiona os preços e as margens de lucro das produtoras locais, especialmente Usiminas e CSN.

A bobina a quente (HRC) doméstica, um dos principais produtos dessas siderúrgicas, ainda mantém um prêmio de 18,5% sobre o valor do produto importado. Essa diferença de preço, embora pareça vantajosa, é um indicativo da capacidade de precificação reduzida diante da concorrência estrangeira, forçando as empresas a absorverem parte dessa margem para manterem a competitividade.

Proteção da Gerdau e Vale

A Gerdau, por sua vez, apresenta maior proteção contra essa dinâmica. Sua exposição ao mercado de aços longos e a forte presença na América do Norte, onde as condições de mercado podem ser distintas e menos voláteis que no Brasil, conferem à empresa uma resiliência maior. A Vale, embora também mineradora, tem uma estrutura de custos e um portfólio de produtos que a posicionam de forma mais estável frente às oscilações do preço do aço.

A análise sugere que as estratégias de diversificação geográfica e de linha de produtos são cruciais para mitigar os riscos em um setor tão cíclico e sensível a fatores macroeconômicos e comerciais.

Implicações para o setor

O cenário atual levanta questões sobre a sustentabilidade das margens das siderúrgicas brasileiras em um ambiente de crescente concorrência internacional e políticas comerciais que podem favorecer importações. Para CSN e Usiminas, a necessidade de reavaliar custos operacionais e estratégias de precificação torna-se urgente.

Reguladores e o próprio governo podem ser chamados a intervir, seja por meio de tarifas de importação ou outras medidas, para proteger a indústria nacional. Para os investidores, a diferenciação entre as empresas do setor, com base em sua exposição a diferentes mercados e produtos, torna-se fundamental para a alocação de capital.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times