A montadora chinesa Chery planeja trazer ao Brasil dois novos produtos que não têm quatro rodas: um cão-robô de estimação e um robô humanoide para atendimento. Segundo o portal Olhar Digital, os modelos da AiMOGA Robotics, braço de tecnologia da Chery, devem chegar ao país no último trimestre do ano, dependendo de homologação da Anatel.
O movimento é mais do que o lançamento de um gadget. É um teste de mercado calculado. A Chery está usando sua estrutura para sondar o apetite do consumidor brasileiro por uma nova categoria de produto: a robótica de consumo que simula interação social. A questão central não é se o cão-robô Argos e a humanoide Mornine funcionarão, mas se há um mercado para eles além da pura novidade.
O pet como serviço
A ideia de um animal de estimação robótico não é nova — o Aibo da Sony é um precursor dos anos 90. A diferença é o contexto e o proponente. Enquanto a Boston Dynamics popularizou a imagem de cães-robô com foco industrial e de pesquisa, a Chery posiciona o Argos explicitamente como um “pet tecnológico” para entretenimento doméstico.
O Argos executa comandos simples e, crucialmente, opera offline. A escolha pela simplicidade reduz a barreira de entrada e o preço, mas também limita sua funcionalidade. A aposta não é em uma inteligência artificial complexa, mas em uma interação previsível e controlada. É menos um companheiro autônomo e mais um brinquedo interativo sofisticado, uma distinção fundamental para gerenciar as expectativas do consumidor.
Do showroom para a sala de estar
A estratégia da Chery é dupla. A robô Mornine, que atenderá clientes nas concessionárias OMODA & JAECOO, funciona como uma ferramenta de marketing. Seu papel é criar uma aura de inovação para as marcas de veículos e normalizar a interação humano-robô em um ambiente comercial controlado.
O verdadeiro teste, contudo, está com o Argos. Ele leva a robótica do ambiente asséptico do showroom para a realidade de uma casa. Seu desempenho comercial oferecerá dados valiosos sobre a disposição do brasileiro em pagar por companhia robótica, ainda que em sua forma mais básica. Para a Chery, é uma entrada de baixo risco em um mercado que, no futuro, pode se mostrar gigantesco.
A iniciativa da montadora é menos sobre a receita imediata e mais sobre plantar uma bandeira. Trata-se de um exercício de construção de marca e inteligência de mercado. Um robô que “dá a pata” pode ser uma curiosidade, mas uma gigante automotiva investindo nisso sinaliza uma aposta de longo prazo na convergência entre mobilidade, automação e a vida doméstica. Resta saber se o consumidor brasileiro está pronto para essa visão de futuro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Olhar Digital





