O dólar à vista iniciou o pregão desta quinta-feira (18) em trajetória de alta, cotado a R$ 5,135, uma valorização de 0,52%. O movimento reflete o ajuste dos investidores aos sinais recentes de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom), que desenham cenários distintos para inflação e crescimento nas duas economias.

Sinais do Federal Reserve

A leitura predominante no mercado é de que o Fed mantém uma postura mais rígida para conter pressões inflacionárias, com tolerância a juros elevados por mais tempo. Parte dos dirigentes indica que a normalização pode ser mais lenta do que se imaginava no início do ano, o que tem levado a uma reprecificação dos contratos futuros de juros nos EUA. Dados de atividade, como a resiliência do varejo, reforçam a percepção de um hiato do produto ainda aquecido. Nesse contexto, a perspectiva de juros altos por mais tempo age como um “aspirador” de liquidez global e eleva o custo de oportunidade para ativos de risco em emergentes.

O dilema do Banco Central brasileiro

No Brasil, o Copom adotou uma comunicação cautelosa após o ajuste mais recente da Selic, evitando se comprometer com passos futuros específicos. A sinalização de que a convergência da inflação à meta pode requerer juros em terreno restritivo por um período prolongado mantém os investidores em compasso de espera. Sem um cronograma claro para a trajetória da taxa básica, o real fica mais sensível a fluxos externos e à percepção de risco local, inclusive no front fiscal.

Geopolítica e commodities no radar

Além das variáveis monetárias, fatores geopolíticos e o comportamento do petróleo seguem no radar dos investidores. Qualquer ruído que afete rotas estratégicas de comércio ou a oferta de energia pode gerar pressões adicionais sobre preços, com reflexos na inflação global e, por consequência, nas decisões de política monetária.

Perspectivas para o segundo semestre

O ponto central para os próximos meses é a intensidade e a duração do aperto monetário nos EUA e seu impacto sobre o câmbio brasileiro. O diferencial de juros entre as duas economias continua sendo um dos principais vetores do dólar, ao lado da percepção sobre a trajetória fiscal no Brasil. A evolução dos dados de inflação e atividade nos EUA, bem como a comunicação do Copom nas próximas reuniões, ditará o ritmo de ajuste das expectativas de mercado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney