A exaltação da "energia masculina" no ambiente corporativo, caracterizada pela agressividade e pela celebração do risco, tem um custo bilionário para as empresas. Essa cultura, que por vezes ignora a cooperação e a cautela como fraquezas, não apenas prejudica a produtividade, mas também está diretamente ligada a um número alarmante de acidentes de trabalho e a perdas financeiras significativas. A leitura aqui é que, embora o discurso em prol dessa mentalidade corporativa possa ter perdido força em alguns círculos políticos, o ideal de dominância permanece profundamente enraizado nas práticas de gestão americanas.

O cenário atual das mulheres em cargos de liderança, embora recorde em número (apenas 11,2% das empresas Fortune 500), evidencia a lentidão da mudança. A participação em cargos de C-suite estagnou em 29%, segundo o relatório "Women in the Workplace" da McKinsey e LeanIn.org. Paralelamente, o mercado de trabalho caminha em direção oposta: setores como educação privada e saúde, onde mulheres ocupam 77% dos postos, foram os únicos a apresentar crescimento em 2025, adicionando cerca de 800 mil vagas, enquanto outros setores perderam 500 mil. Essa migração para áreas de "cuidado" — frequentemente rotuladas como "baixa produtividade" por economistas, mais por salários baixos do que por contribuição real — sugere uma desvalorização intrínseca do trabalho predominantemente feminino. A mesma lógica se aplica internamente nas empresas, onde tarefas de mentoria, organização e resolução de conflitos, majoritariamente realizadas por mulheres, permanecem desvalorizadas e não recompensadas, contrastando com a autopropaganda, que é vista como liderança.

O Custo da Virilidade no Trabalho

Um dos custos mais evidentes dessa "energia masculina" corporativa se manifesta na segurança do trabalho. Em 2024, homens foram responsáveis por cerca de 92% das 5.070 fatalidades registradas nos EUA, segundo o Bureau of Labor Statistics. Embora a natureza de trabalhos em construção ou transporte contribua para essa estatística, uma parcela significativa das mortes está ligada à norma que incentiva homens a ignorar o medo, dispensar precauções e evitar admitir desconhecimento ou a necessidade de ajuda. A transformação cultural em duas plataformas de petróleo no Golfo do México, onde um foco em segurança e aprendizado contínuo reduziu o índice de acidentes em 84% e aumentou a produtividade, demonstra que a mudança de mentalidade é possível. Ao abandonar a "performance" de intrepidez, os trabalhadores passaram a relatar erros e problemas, criando um ambiente mais seguro e eficiente.

Regras para os Outros: A Masculinidade como Concurso

Outro custo significativo advém da percepção de que algumas pessoas estão acima das regras e da proteção oferecida por grupos de pares. No estudo global sobre fraude ocupacional de 2024 da Association of Certified Fraud Examiners, homens cometeram 75% dos casos, gerando perdas medianas de US$ 158.000, contra US$ 100.000 de mulheres. Essa disparidade tem um impacto direto na motivação e na confiança dos funcionários que seguem as regras. Quando a quebra de normas é vista como um caminho para o sucesso, a integridade e a confiança na liderança são corroídas. A Harvard Kennedy School, em um estudo de 2018, já descrevia o ambiente de trabalho como um "concurso de masculinidade", regido por normas implícitas de demonstração de força, resistência e competitividade, onde a fraqueza é escondida e o trabalho é priorizado acima de tudo. Essa dinâmica, quando exacerbada, cria um ambiente tóxico que, em última instância, pode ser insustentável.

Implicações para o Ecossistema Corporativo

A persistência de uma cultura corporativa baseada na dominância e no "concurso de masculinidade" tem implicações profundas para a inovação e a sustentabilidade a longo prazo. Empresas que priorizam a competição interna e o individualismo em detrimento da colaboração e do bem-estar dos funcionários podem enfrentar dificuldades em atrair e reter talentos diversos. A desvalorização do trabalho de cuidado e suporte, tipicamente associado a mulheres, pode levar a uma subestimação de competências essenciais para a coesão e a eficiência organizacional. Reguladores e stakeholders podem precisar atuar para incentivar práticas mais equitativas e seguras, reconhecendo que a verdadeira produtividade advém de um ambiente inclusivo e colaborativo, e não de uma cultura de risco cego e competição predatória.

Perguntas em Aberto e o Futuro do Trabalho

Fica a questão de como e quando as empresas americanas transcenderão a mentalidade de "concurso de masculinidade". A mudança no mercado de trabalho, com o crescimento de setores predominantemente femininos, pode ser um catalisador, mas a transformação cultural interna é mais complexa. Será que as empresas que mantêm essa cultura de dominância enfrentarão um "custo da virilidade" cada vez maior, como sugerem análises recentes, ou conseguirão adaptar suas práticas antes que o impacto se torne insustentável? Observar a evolução das métricas de segurança, retenção de talentos e produtividade em diferentes modelos de gestão será crucial para entender a direção futura do ambiente corporativo.

A leitura aqui é que a valorização de uma "energia masculina" tóxica no trabalho, com sua ênfase em risco e dominância, está gerando custos bilionários em perdas e acidentes. A contínua desvalorização do trabalho de cuidado e cooperação, predominantemente feminino, contrasta com a emergência de setores liderados por mulheres no mercado de trabalho, sinalizando uma necessária reavaliação das métricas de sucesso corporativo. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company