A crescente demanda global por eletricidade, aliada à necessidade de estabilizar o fornecimento de fontes renováveis intermitentes como solar e eólica, impulsiona a busca por soluções de armazenamento de energia de longa duração. Nesse cenário, a startup italiana Energy Dome surge com uma proposta inovadora: baterias de grande escala que utilizam dióxido de carbono (CO2) comprimido. A tecnologia promete entregar energia por até 24 horas, um marco significativo em comparação com as soluções atuais que, majoritariamente, cobrem períodos de até quatro horas.
A solução da Energy Dome baseia-se em um princípio físico conhecido, mas adaptado de forma a não depender de formações geológicas específicas. O componente central é uma cúpula maciça, que cobre uma área equivalente a sete campos de futebol e armazena cerca de 2.000 toneladas métricas de CO2. Quando há excesso de energia, proveniente, por exemplo, de usinas solares conectadas, compressores transformam o CO2 gasoso em líquido, armazenado em tanques de aço-carbono. O processo de compressão gera calor, que é retido em um material de armazenamento térmico proprietário. Posteriormente, quando a rede elétrica necessita de energia, o CO2 líquido é liberado, aquecido pelo calor armazenado, voltando ao estado gasoso. Este gás aciona uma turbina, gerando eletricidade e retornando ao domo, reiniciando o ciclo.
A tecnologia de armazenamento por ar comprimido não é nova, sendo utilizada há décadas por concessionárias em cavernas subterrâneas. Contudo, a abordagem da Energy Dome, ao dispensar requisitos geológicos específicos, oferece maior escalabilidade global. A empresa inaugurou sua primeira planta comercial na Sardenha, Itália, em 2025, com capacidade de 200 megawatt-horas, suficiente para abastecer aproximadamente 18.000 residências italianas por 10 horas. A empresa já planeja 30 gigawatt-horas de projetos em cinco continentes.
O potencial de impacto é considerável. O armazenamento de energia mais acessível pode permitir que fontes eólica e solar atendam a uma parcela maior da demanda mundial. Atualmente, as baterias de íon-lítio dominam as instalações de curta duração. Para períodos mais longos, como oito horas, seria necessário dobrar a quantidade de células de íon-lítio, elevando significativamente os custos. A Energy Dome estima que sua tecnologia seja entre 10% e 15% mais barata que o íon-lítio para sistemas de oito horas, com vantagens econômicas ainda maiores para durações de até 24 horas. A escalabilidade e velocidade de implementação derivam do uso de equipamentos comerciais disponíveis, como compressores e tanques de armazenamento.
Entretanto, a tecnologia da Energy Dome enfrenta desafios. Atualmente, apenas uma planta comercial está operacional, e a empresa precisa expandir sua capacidade para atingir a meta de 30 gigawatt-horas. A eficiência do processo, conhecida como eficiência de ida e volta (roundtrip efficiency), é de cerca de 70%, inferior aos cerca de 90% das baterias de íon-lítio, embora superior a outras tecnologias de longa duração como algumas baterias de ferro-ar (cerca de 50%). Além disso, uma versão do sistema que integra turbinas a gás natural para otimizar o aquecimento do CO2 gera emissões de gases de efeito estufa, comprometendo o apelo ambiental.
O futuro próximo da Energy Dome envolve a construção de sua vasta carteira de projetos, com muitos previstos para serem concluídos até o final da década. A utilização de componentes padronizados permite um ciclo de dois anos entre o contrato assinado e a entrega da capacidade. Um exemplo é o acordo com o Google em junho de 2026 para uma planta de 200 MWh na Irlanda, com previsão de operação em 2028.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · MIT Technology Review





