A indústria espanhola que consome grandes volumes de energia está pagando uma das contas de luz mais caras da Europa, o que coloca sua competitividade em xeque. Segundo dados da Associação de Empresas com Grande Consumo de Energia (AEGE), reportados pela Forbes España, o preço final para um consumidor eletrointensivo no país atingiu 88,63 euros por megawatt-hora (MWh) no final de agosto. O valor é 44% superior aos 61,65 euros/MWh pagos na França e 12% acima dos 79,1 euros/MWh na Alemanha.
A disparidade não é apenas uma flutuação de mercado, mas um sintoma de desvantagens estruturais. Enquanto a Europa opera como um mercado único, as políticas energéticas e fiscais de cada país criam um campo de jogo desigual, com a Espanha em clara desvantagem em um insumo crítico para a produção industrial.
O peso dos custos regulatórios e fiscais
A análise da AEGE aponta para dois fatores principais que explicam a diferença de preços. O primeiro são os custos associados aos "serviços de ajuste do sistema", uma particularidade da fatura espanhola que não onera os consumidores industriais na França e na Alemanha. Sozinha, essa taxa adiciona uma diferença de mais de 20 euros/MWh na comparação.
O segundo elemento é a política de compensação por custos indiretos de emissões de CO2. Na Alemanha, as indústrias eletrointensivas recebem subsídios "substancialmente superiores" aos concedidos na Espanha, onde os valores são limitados por restrições orçamentárias. A associação estima que as empresas alemãs recebem o equivalente a 21 euros/MWh a mais em compensações, aliviando a pressão sobre seus custos operacionais.
O xadrez da política industrial europeia
O caso espanhol ilustra a tensão permanente entre as políticas energéticas nacionais e a busca por um mercado comum verdadeiramente integrado. A França, com sua matriz nuclear robusta, consegue manter preços mais baixos de forma estrutural. A Alemanha, por sua vez, utiliza mecanismos fiscais para proteger sua base industrial. A Espanha, por outro lado, parece arcar com o ônus de uma estrutura de custos menos favorável.
Para setores como siderurgia, química e papel e celulose, onde a energia representa uma parcela significativa do custo de produção, essa diferença não é trivial. Ela impacta diretamente as decisões de investimento, a localização de novas plantas e a capacidade de competir em preço no mercado global e, crucialmente, dentro do próprio bloco europeu.
A discussão transcende o preço do elétron e entra no mérito da política industrial. O desafio para Madri — e, em última análise, para Bruxelas — é como harmonizar as regras do jogo para garantir que a transição energética não acabe por desindustrializar partes do continente em favor de outras.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





