A Espanha encontra-se em um ponto crucial de sua transição energética, onde o paradigma se desloca da simples expansão da capacidade de geração renovável para a concretização de uma vantagem competitiva industrial. Essa transformação, discutida no Forbes Economic Summit por líderes de empresas como Redeia, ENGIE e BYD Iberia, aponta para a necessidade de superar gargalos administrativos e impulsionar a adoção de tecnologias limpas em diversos setores.

Roberto G. Merino, CEO da Redeia, destacou a posição de partida favorável da Espanha, com uma infraestrutura energética robusta e um ecossistema de grandes companhias. No entanto, o principal desafio reside na agilidade com que essa rede pode se adaptar às rápidas mudanças do setor. A Redeia tem investido massivamente, com planos de mais de 7 bilhões de euros em redes de transporte para 2025-2030. O "gargalo" identificado por Merino não é a capacidade de construção, mas sim a morosidade dos processos administrativos, que podem se estender por anos, contrastando com os cerca de dezoito meses necessários para a execução de uma subestação ou linha de transmissão.

Loreto Ordoñez, CEO da ENGIE, enfatizou a importância de conectar a energia renovável competitiva gerada na Espanha com as demandas da indústria. O país consolidou um parque de geração solar e eólica expressivo, beneficiado por recursos naturais e um ecossistema de talentos e empresas. Contudo, a transição agora exige uma integração tecnológica mais profunda e uma ligação mais estreita entre a energia disponível e as necessidades de produção. O objetivo é que a energia limpa se traduza em uma vantagem real para as empresas que operam no país, fortalecendo a cadeia de valor industrial e o conhecimento local.

Na indústria automotiva, a transição energética representa uma mudança de paradigma sem precedentes. Alberto de Aza, CEO da BYD Iberia, comparou o momento à transição da tração animal para o motor a combustão. A eletrificação, embora em crescimento – com veículos elétricos e híbridos plug-in representando cerca de 22%-23% do mercado espanhol –, enfrenta barreiras significativas de preço e acesso à infraestrutura de recarga. A BYD, com sua alta integração vertical de 85% na cadeia de valor, busca mitigar os custos e oferecer preços mais competitivos. A confiança do consumidor na infraestrutura de recarga é vista como crucial para acelerar a adoção em massa.

A convergência das discussões aponta para um cenário onde a Espanha, após construir uma base sólida em energias renováveis e redes eficientes, precisa agora capitalizar essa capacidade. A aceleração de infraestruturas, a simplificação de trâmites, a conexão direta da geração renovável com a demanda industrial e a expansão da eletrificação no transporte são passos essenciais. A transição energética, portanto, transcende a tecnologia e a geração, tornando-se um motor de competitividade, investimento e fortalecimento da capacidade industrial espanhola.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España