O preço do etanol hidratado registrou queda na bomba em 22 estados brasileiros na última semana, um alívio para o consumidor em um cenário de pressão inflacionária. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilados pela AE-Taxas, o valor médio do litro no país recuou 0,76%, para R$ 3,91.

A movimentação é um reflexo direto da dinâmica de oferta e demanda do setor sucroenergético, especialmente com o avanço da safra no Centro-Sul. A queda, no entanto, não é uniforme. Enquanto São Paulo, principal produtor e consumidor, viu o preço cair para R$ 3,61, o maior recuo percentual foi em Minas Gerais (-4,31%), chegando a R$ 3,77. A análise sugere que a maior disponibilidade do produto no mercado está forçando os preços para baixo.

A safra e a paridade

O principal efeito imediato da queda é o aumento da competitividade do etanol frente à gasolina. O biocombustível é considerado economicamente vantajoso quando seu preço é de até 70% do valor do combustível fóssil. Na média nacional, essa paridade atingiu 59,88%, um patamar favorável. Em estados-chave como Mato Grosso (55,06%) e São Paulo (56,85%), a vantagem para o consumidor é ainda mais expressiva.

Essa competitividade, no entanto, é um equilíbrio delicado. Ela depende não apenas da oferta de cana, mas também das decisões estratégicas das usinas, que podem optar por produzir açúcar em vez de etanol, a depender dos preços no mercado internacional. A atual queda nos postos indica que a produção de etanol está robusta, mas também pode sinalizar uma pressão sobre as margens dos produtores, que precisam escoar o estoque.

O xadrez do combustível

A fotografia da semana revela as profundas assimetrias do mercado brasileiro. O preço mínimo de R$ 2,79 por litro foi encontrado em São Paulo, enquanto o máximo, de R$ 6,60, foi registrado no Acre. Essa disparidade evidencia os desafios logísticos e tributários que fragmentam o país e impactam o custo final.

Para o consumidor, a escolha na bomba se torna mais estratégica em 10 estados e no Distrito Federal. Contudo, a sustentabilidade dessa vantagem é incerta. Ela está atrelada não apenas à safra, mas também à política de preços da Petrobras para a gasolina e às flutuações do petróleo no mercado global. Uma mudança em qualquer uma dessas variáveis pode alterar rapidamente o cenário.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times