A economia mundial caminha para uma reconfiguração profunda de poder, moldada por gigantes emergentes e uma redistribuição significativa de riqueza entre continentes. Projeções do Centre for Economics and Business Research (Cebr) indicam que, em 2040, os Estados Unidos, China e Índia serão responsáveis por cerca de 51% do PIB global, que deverá atingir a marca de US$ 227 trilhões. Este cenário representa um crescimento de 83% em termos nominais em relação aos cerca de US$ 124 trilhões estimados para 2026, com a Ásia ampliando sua participação no bolo econômico global.

Ascensão Asiática e a Redução da Distância entre EUA e China

Em 2026, a economia americana representa cerca de 26% do PIB mundial, com US$ 31,6 trilhões, enquanto a China detém 17%, somando US$ 20,9 trilhões. A projeção para 2040 é de um encolhimento dessa diferença: os EUA ainda liderarão com US$ 52,9 trilhões, mas a China se aproximará significativamente, alcançando US$ 47,9 trilhões. A participação chinesa no PIB global deve subir para 21%, enquanto a americana cairá para 23%. Essa tendência reflete um movimento mais amplo de concentração de poder econômico na Ásia, que deverá passar de 32% em 2026 para 39% em 2040. Em contrapartida, a Europa verá sua participação cair de 26% para 21%, e a América do Norte, de 30% para 27%.

Índia e Indonésia: Novos Protagonistas no Palco Econômico

A Índia está projetada para ascender da quarta para a terceira posição no ranking das maiores economias até 2040. Sua economia mais que triplicará, saltando de US$ 4,5 trilhões para US$ 14,1 trilhões — um crescimento que, segundo o Cebr, a colocará à frente de economias tradicionais como Alemanha e Japão. A diversificação das cadeias de suprimentos, com empresas buscando alternativas à China, é vista como um fator crucial para o crescimento indiano, exemplificado pela expansão da produção da Apple no país. A Indonésia também promete uma ascensão notável, pulando da 17ª para a 8ª posição, com um PIB projetado de US$ 4,2 trilhões, ultrapassando a Itália e consolidando a entrada do Sudeste Asiático no grupo das dez maiores economias.

Brasil na Lista: Uma Posição de Destaque Regional

Dentro deste panorama global, o Brasil figura na nona posição do ranking de 2040, com um PIB projetado de US$ 3,9 trilhões, ligeiramente atrás da Indonésia e à frente do Canadá. Embora o Brasil não esteja no epicentro do crescimento acelerado projetado para Índia e China, sua posição no top 10 indica uma relevância econômica contínua em um cenário mundial em constante transformação. A capacidade do país de atrair investimentos e adaptar-se às novas dinâmicas globais será fundamental para manter e, possivelmente, melhorar essa colocação nas próximas décadas.

Implicações e o Futuro da Ordem Econômica

As projeções para 2040 sugerem uma reconfiguração do poder econômico global, com a Ásia assumindo um papel ainda mais central. O crescimento robusto de países como China e Índia não apenas altera os rankings, mas também influencia a demanda global, os padrões de investimento e a geopolítica. A diminuição da participação relativa de Europa e América do Norte, embora não signifique declínio absoluto, aponta para uma multipolaridade econômica mais acentuada. O desempenho de economias emergentes como a Indonésia demonstra o potencial de ascensão de nações que souberem aproveitar as oportunidades de diversificação e crescimento. O cenário levanta questões sobre a governança econômica global, a necessidade de adaptação de instituições e a forma como as relações comerciais e de investimento serão redefinidas neste novo contexto.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Visual Capitalist