A geopolítica voltou a ditar o preço do petróleo nesta segunda-feira. Uma escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã, que já dura seis meses, empurrou os contratos futuros do barril para uma alta superior a 3%. O Brent, referência global, superou os US$ 90, enquanto o WTI americano se aproximou de US$ 87.
O gatilho foi uma troca de ataques diretos. Segundo reportagens, forças americanas atingiram lançadores de mísseis na Ilha de Larak, território iraniano no Estreito de Ormuz. Em resposta, Teerã afirmou ter atacado duas bases aéreas dos EUA na Jordânia. O movimento eleva a temperatura de um conflito que ameaça um dos pontos mais sensíveis da cadeia global de energia.
O risco precificado no Estreito
O Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo antes da guerra, é o epicentro da tensão. A reação do mercado, embora forte, reflete um risco que já se materializa. Dados de navegação mostram que o trânsito de navios cargueiros pela região caiu para apenas cinco por dia, um sinal da cautela das operadoras. No fim de semana, a agência britânica de Operações de Comércio Marítimo reportou que um petroleiro foi atingido por um projétil ao entrar no estreito.
Analistas apontam que a reação aguda dos preços foi parcialmente amplificada pelo baixo volume de negociações, devido a um feriado no Reino Unido. Ainda assim, o foco do mercado, como apontou o analista do UBS, Giovanni Staunovo, é se a situação vai escalar ou se acalmar. A volatilidade é a nova norma. O conflito também se desenrola no campo da informação, com o ex-presidente americano Donald Trump publicando um vídeo gerado por inteligência artificial sobre um suposto ataque à Ilha de Kharg, prontamente negado pelo Irã.
Apesar da alta expressiva na segunda-feira, tanto o Brent quanto o WTI caminhavam para fechar o mês de agosto com perdas modestas. O dado revela a dificuldade do mercado em precificar um conflito volátil e de longa duração, onde cada novo incidente pode redefinir o equilíbrio entre oferta e demanda.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times




