A Volkswagen está prestes a realizar uma mudança significativa em sua liderança nos Estados Unidos. Segundo reportagem da Automotive News, Kjell Gruner, o atual principal executivo do grupo no país, deve deixar a companhia. Para seu lugar, é cotado Marco Schubert, atual chefe de vendas da Audi.

O gatilho para a troca seria o desempenho decepcionante do novo SUV Atlas. Lançado com a expectativa de ser um pilar de volume e rentabilidade, o modelo não atingiu as metas e, segundo fontes internas, gera margens de lucro inferiores à geração anterior. A dança das cadeiras em um mercado-chave sinaliza a insatisfação da matriz em Wolfsburg.

O fantasma americano

O mercado americano é um desafio histórico para a Volkswagen. Diferente do sucesso consolidado na Europa e na China, a montadora alemã luta há décadas para decifrar o consumidor dos EUA, alternando entre breves acertos e longos períodos de dificuldade. O escândalo do "Dieselgate" aprofundou essa crise de confiança e forçou um pivô estratégico, do qual o Atlas era uma peça central.

Apostar em um SUV de grande porte, pensado para o gosto local, parecia a estratégia correta. Contudo, a falha em entregar a rentabilidade esperada sugere problemas mais profundos, seja em precificação, custos de produção ou posicionamento frente a concorrentes estabelecidos como Ford, GM e as montadoras japonesas. A troca de comando indica que a paciência para a atual estratégia se esgotou.

Para o sucessor de Gruner, a missão é complexa. Não se trata apenas de ajustar a rota do Atlas, mas de garantir que a ofensiva de veículos elétricos da linha ID. tenha uma recepção melhor no competitivo cenário americano. Trazer um executivo da Audi, uma marca com posicionamento mais premium e margens saudáveis, pode ser um sinal do caminho que a VW pretende seguir: menos foco em volume a qualquer custo e mais em rentabilidade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Drive