Um relato detalhado de um ex-membro da equipe técnica da Anthropic, Ivan Vendrov, oferece um vislumbre raro dos primórdios da startup de inteligência artificial, focada intensamente em segurança e com uma cultura que, segundo ele, levou ao burnout. Vendrov trabalhou na empresa de final de 2022 a meados de 2023, um período formativo para a Anthropic, que agora se prepara para abrir seu capital.
Cultura de Segurança e Ambições Contraditórias
Vendrov descreveu um ambiente de trabalho onde o medo de uma catástrofe com a IA coexistia com o impulso para construir uma inteligência artificial geral (AGI) segura para uso comercial. A narrativa, publicada em seu Substack, não se apresenta como um registro literal, mas como a "essência do diálogo" e a "experiência de um cara em um papel júnior durante uma curta janela de tempo". Ainda assim, o relato lança luz sobre a mentalidade inicial da empresa, que se posicionou como uma alternativa mais cautelosa a outros laboratórios de IA.
Equidade, FBI e o Custo Pessoal
Ao considerar ofertas de OpenAI e Anthropic, Vendrov optou pela segunda após uma conversa com um dos cofundadores, que mencionou um diálogo contínuo com reguladores em Washington. Um ponto crucial de sua experiência foi a proposta de doar dois terços de sua participação acionária (equity) para caridade, uma prática que, segundo o recrutador, já era adotada por todos os cofundadores. Vendrov aceitou, incerto se a oferta de emprego dependia de sua concordância. A própria Anthropic, em seu registro S-1 para a abertura de capital, menciona um programa de doação de equidade, com 50% dos funcionários participando de um programa onde podem doar "uma porção significativa" de seus prêmios de ações.
O ambiente físico inicial era descrito como um escritório "feio e apertado", mas que oferecia regalias como croissants frescos e uma massagista duas vezes por semana. No entanto, um alerta do FBI sobre a empresa ser alvo de agências de inteligência estrangeiras e uma discussão interna sobre a "cultura de não buscar riqueza e comer caviar" – após um jantar com um sushiman contratado – ilustram as tensões entre a ambição de construir IA avançada e a necessidade de manter um tom modesto e focado em segurança.
O Preço do Burnout
O relato de Vendrov detalha noites sem dormir e momentos de dificuldade em expressar emoções com colegas, que ele via como mais inteligentes e competentes. A pressão para construir uma IA segura, combinada com a intensidade do trabalho, levou-o a pedir demissão após oito meses. Ao redigir sua carta de desligamento, ele ponderou sobre expressar suas dúvidas, mas temeu criar instabilidade entre seus colegas. Em vez disso, optou por elogiar a organização, descrevendo-a como "incrivelmente boa". A experiência de Vendrov levanta questões sobre o bem-estar dos profissionais no setor de IA, onde a corrida por avanços pode impor um alto custo pessoal.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





