Um ex-executivo sênior da National Gallery of Victoria, em Melbourne, Austrália, foi acusado de roubar cerca de AUD 8 milhões (aproximadamente US$ 5,6 milhões) do museu ao longo de um período de seis anos. Segundo a publicação ArtAsiaPacific, o funcionário, cujo nome não foi revelado, teria utilizado uma conta corporativa para adquirir smartphones, que posteriormente revendia para obter lucro. As autoridades alegam que ele se valeu de sua posição de liderança no museu para ocultar o esquema fraudulento.

O suposto desvio de fundos começou em setembro de 2019 e se estendeu até sua descoberta em setembro de 2025. Após a identificação da fraude, o museu reportou o caso à Polícia de Victoria, resultando na demissão do funcionário. A Comissão Independente de Combate à Corrupção de Victoria (Independent Broad-based Anti-Corruption Commission) abriu então uma investigação. Como desdobramento dessa apuração, o ex-executivo foi agora formalmente indiciado por oito crimes: sete acusações de roubo e uma de má conduta em cargo público. Ele tem audiência marcada para 20 de outubro no Tribunal de Magistrados de Melbourne.

Contexto e Mecanismo da Fraude

A National Gallery of Victoria, fundada em 1861, ostenta o título de museu de arte público mais antigo da Austrália. Seu acervo é estimado em mais de 80.000 obras, com um valor total avaliado em AUD 4,8 bilhões (cerca de US$ 3,3 bilhões), conforme informações da ArtAsiaPacific. Curiosamente, a coleção principal do museu não foi afetada pelo esquema de roubo. O método empregado pelo ex-executivo envolvia a utilização de sua autoridade para autorizar compras de smartphones em larga escala, utilizando recursos e contas designadas para as operações do museu. Uma vez adquiridos, os aparelhos eram revendidos no mercado, gerando receita que, segundo as acusações, era desviada para benefício pessoal do acusado.

Implicações para o Museu e o Setor

Este incidente levanta sérias questões sobre os controles internos e a supervisão em instituições culturais de grande porte. Embora a coleção principal tenha permanecido intacta, a perda financeira é significativa e a confiança na gestão é abalada. O caso pode servir como um alerta para outros museus e galerias sobre a necessidade de auditorias rigorosas e sistemas de segurança robustos para prevenir fraudes internas, especialmente aquelas que se disfarçam em atividades operacionais rotineiras, como a compra de equipamentos. A investigação da Comissão de Combate à Corrupção de Victoria sugere um processo aprofundado para apurar a extensão da má conduta.

Perguntas em Aberto e o Futuro

As acusações formais representam um passo importante, mas a resolução completa do caso ainda está pendente. Resta saber qual será a pena aplicada ao ex-executivo e se haverá outras descobertas durante o processo judicial que possam implicar outras partes ou revelar falhas adicionais nos sistemas de controle do museu. A transparência nos desdobramentos da audiência em outubro será crucial para a recuperação da imagem da National Gallery of Victoria.

O caso destaca a vulnerabilidade de instituições, mesmo as de renome, a fraudes internas. A integridade dos funcionários e a solidez dos mecanismos de fiscalização são pilares essenciais para a sustentabilidade e credibilidade de qualquer organização, especialmente aquelas que gerenciam patrimônios culturais de valor inestimável. A comunidade artística e o público em geral aguardam os desdobramentos com atenção.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews