A busca por autenticidade e engajamento no universo digital tem levado instituições culturais a explorar novas frentes. Recentemente, a viralização de curadoras idosas, como Alison Luchs, do National Gallery of Art em Washington, D.C., no Instagram, chamou a atenção. Sua habilidade em dialogar com o público jovem, utilizando linguagem e formatos próprios das redes sociais, inspirou outros museus a replicar a estratégia, com o objetivo de atrair a atenção da Geração Z.

O movimento, no entanto, não vem sem questionamentos. A preocupação reside em saber se a iniciativa de transformar idosos em embaixadores de mídias sociais é uma forma genuína de conectar gerações ou se configura como uma exploração, uma espécie de "elder abuse" digital. A ideia de "coaxar um idoso a usar ironicamente uma linguagem de 'brainrot' que não compreende" é apresentada como um risco potencial à dignidade do participante.

A chave para uma implementação ética, segundo análises do setor, é garantir que os participantes estejam "a par da piada", compreendendo plenamente a natureza da interação e participando de forma voluntária e consciente. A linha entre a celebração intergeracional e o espetáculo exploratório é tênue, exigindo que as instituições procedam com sensibilidade, transparência e, acima de tudo, respeito por seus novos embaixadores digitais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews