A Farm Rio, marca carioca de moda feminina, intensifica sua estratégia de expansão na América Latina, mirando o crescimento através de franquias e parcerias com distribuidores locais. A empresa abriu sua primeira loja na Colômbia em 17 de setembro, como uma franquia da Kronotime, uma distribuidora colombiana com vasta experiência em mais de 300 pontos de venda em mais de dez países. Essa movimentação faz parte de um plano ambicioso que visa a abertura de novas unidades em outros países da região em 2027.
Expansão Estratégica na América Latina
A estratégia de internacionalização da Farm Rio tem ganhado tração. Após a abertura de sua primeira loja na Argentina em julho de 2025, no Shopping Paseo Alcorta, e sua presença já estabelecida no Panamá, a chegada à Colômbia marca um novo capítulo. A escolha de Barranquilla para a primeira loja física, em um espaço de 100 m² no Mallplaza Buena Vista, foi motivada por uma afinidade natural com a energia da cidade, descrita pelo CEO da Farm Rio Internacional, Fábio Barreto, como conectada ao mar, à vida ao ar livre e a uma forma espontânea de ocupar as ruas. Essa sintonia com o espírito do Rio de Janeiro, berço da marca, foi um fator decisivo. A empresa já explora pontos em Bogotá, Medellín e Cartagena, indicando um forte interesse no mercado colombiano.
Parcerias Locais e Adaptação Cultural
O modelo de franquia é central na expansão regional da Farm Rio. Barreto enfatiza a importância de crescer com parceiros locais que possuam um conhecimento profundo de seus mercados, do consumidor e da operação. Contudo, a marca não busca simplesmente replicar a mesma experiência em todos os mercados. Na Colômbia, a adaptação cultural é visível no projeto arquitetônico e na fachada da loja, que incorporam fibras de fique trançadas por artesãos locais, além de peças assinadas por estúdios e ateliês colombianos. Essa curadoria específica para a Colômbia demonstra um esforço em dialogar com a riqueza cultural do país, sem perder a identidade global da marca, que mantém um padrão arquitetônico e de linguagem consistente em suas operações internacionais.
O Futuro Incerto: A Venda da Marca
Enquanto a Farm Rio avança em sua expansão, o futuro da marca está intrinsecamente ligado às negociações de venda em curso pelo Grupo Azzas, controlador atual. A Azzas contratou o Morgan Stanley para avaliar alternativas estratégicas, com o objetivo de destravar valor. Embora a empresa afirme que nenhuma decisão foi tomada, há contatos com potenciais interessados. Fundada em 1997 por Kátia Barros e Marcello Bastos, a Farm Rio já conta com mais de 130 lojas no Brasil e 18 no exterior, tendo faturado R$ 3,4 bilhões em 2025, o que representou 23% da receita bruta da Azzas. O Brasil ainda responde por cerca de 60% das vendas da marca.
Implicações e Avaliação de Mercado
A possível venda da Farm Rio atrai o interesse de fundos de private equity como Advent, GIC, CVC Capital Partners e L Catterton. As estimativas de bancos colocam o valor da marca entre R$ 3,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões, com os acionistas pedindo cerca de 15 vezes o Ebitda. Esse múltiplo é considerado alto por alguns fundos, especialmente quando comparado a outros grupos do setor. A ambição seria um negócio na casa de US$ 1 bilhão. A cisão do Grupo Azzas entre os sócios Alexandre Birman e Roberto Jatahy, anunciada em setembro, prevê que a Farm Rio terá uma empresa própria com gestão e governança independentes, mas a avaliação de alternativas estratégicas para a marca segue em curso, adicionando uma camada de incerteza ao seu promissor plano de expansão internacional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Bloomberg Línea





