O Mazda Miata, desde seu lançamento em 1989, conquistou uma legião de fãs pela sua proposta de esportividade acessível, focada na leveza e no prazer de dirigir. Com motores que variavam de 115 a 150 cavalos em suas versões originais, o carro nunca foi sinônimo de potência bruta, mas sim de um equilíbrio dinâmico refinado. Essa característica, no entanto, não impediu que entusiastas buscassem ir além, explorando modificações que vão desde turbocompressores até a substituição completa do propulsor.
A engenhosidade por trás do "Ferramiata"
A cultura de customização automotiva, especialmente no Japão, é um terreno fértil para a criatividade e a audácia. Projetos que desafiam o convencional não são raros, mas o "Ferramiata" — um Mazda Miata NB com um motor V8 da Ferrari 360 — eleva o conceito a outro patamar. Documentado pelo fotógrafo e escritor Dino Dalle Carbonare em seu canal no YouTube, o projeto é um testemunho da engenhosidade e da paixão por carros únicos.
O processo de construção, que se estendeu por quatro anos, envolveu a colaboração de diversos especialistas. Inicialmente, o cliente pensou em motores Mazda V6 ou até mesmo um propulsor do Honda NSX. No entanto, a busca por algo mais exclusivo levou à aquisição de um V8 Ferrari de 3.6 litros, originalmente de um carro acidentado. A Daddy Motorworks, oficina responsável pela montagem, demonstrou uma capacidade notável de integrar o motor italiano ao chassi do Miata sem a necessidade de cortes extensivos. A adaptação de um sistema de escapamento Ferrari F430 com silenciadores originais e a relocalização do sistema de cárter seco para o porta-malas são exemplos da complexidade envolvida.
Desafios e soluções de engenharia
Integrar um motor V8 de 400 cavalos à estrutura compacta de um Miata, que pesa cerca de 1.150 kg, apresenta desafios significativos. A escolha de um chassi NB, conhecido por sua rigidez superior em comparação com a geração NA, foi um ponto de partida estratégico. Para acomodar o motor italiano, que é apenas cerca de 20 kg mais pesado que o motor original do Miata, foram necessários reforços estruturais. O chassi recebeu um brace da Flyin' Miata e um subframe adicional sob o motor, enquanto o subframe traseiro também foi reforçado, acompanhado por freios aprimorados.
A transmissão escolhida foi uma caixa manual de seis marchas do Toyota GR86, acoplada a um diferencial de deslizamento limitado OS Giken e a eixos aprimorados. Curiosamente, os pneus foram selecionados para oferecer menor aderência, uma medida para não sobrecarregar a transmissão e o restante do drivetrain. Visualmente, o carro ostenta um capô com uma grande entrada de ar da Subaru Impreza, permitindo a visualização das trombetas de admissão do V8. O interior foi modernizado com um grande touchscreen central e bancos em couro vermelho, mantendo um toque de sofisticação.
O som e a alma de um projeto único
A performance do "Ferramiata" é, segundo relatos, surpreendente. O motor Ferrari, conhecido por sua entrega de torque robusta em baixas rotações e uma explosão de potência acima de 3.000 rpm, parece harmonizar-se bem com a leveza do Miata. O som característico do V8 italiano, amplificado pela customização, é um dos pontos altos da experiência. O painel de instrumentos foi adaptado, com o conta-giros original da Ferrari no centro, enquanto as informações de marcha e outros controles ficam concentrados na tela central. A existência de uma página dedicada ao projeto no Instagram detalha cada etapa da sua criação.
Projetos como este transcendem a simples modificação automotiva; eles celebram a paixão, a criatividade e a capacidade de transformar sonhos em realidade sobre rodas. O "Ferramiata" não é apenas um carro, mas um ícone de engenhosidade que prova que, com a visão correta e muita dedicação, os limites do que é possível no mundo automotivo são constantemente redefinidos, inspirando outros a pensar fora da caixa e a buscar a excelência em suas próprias criações.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Autopian





