A Geração Z emergiu como a força motriz no mercado de arte, superando gerações anteriores em gastos e na adoção de novas tecnologias para descoberta e pesquisa. Segundo a quinta edição do "Survey of Global Collecting 2026", realizado pela Art Basel e UBS, os jovens colecionadores, apelidados de "omnívoros", gastaram em média o dobro de millennials e boomers apenas na primeira metade de 2026, com seus gastos totais já superando o ano anterior.
O relatório, que analisa o comportamento de colecionadores de alta renda (HNWI), destaca que quase metade dos compradores de obras acima de US$ 1 milhão em 2025 eram da Geração Z, com projeções semelhantes para 2026. Embora obras de menor valor, abaixo de US$ 50.000 e US$ 100.000, continuem a atrair a maioria dos compradores em todas as faixas etárias, a ousadia financeira dos mais jovens é notável.
Novos horizontes de descoberta
Jovens colecionadores e mulheres, em geral, demonstram maior abertura à descoberta de novos artistas. Enquanto 56% da Geração Z adquiriu obras de artistas desconhecidos, apenas 36% dos boomers o fizeram. No segmento feminino, essa proporção foi de 49% contra 43% entre os homens. Essa tendência indica uma busca por novidades e uma disposição para assumir riscos em artistas emergentes, afastando-se de nomes já estabelecidos.
Apesar de sua proeminência nos gastos, os colecionadores mais jovens também se mostraram surpreendentemente reservados quanto à exposição de suas coleções. Cerca de 39% da Geração Z prefere exibições presenciais apenas para familiares e amigos próximos, o dobro de outras gerações. Essa privacidade se estende ao conteúdo online relacionado à arte, onde a Geração Z também lidera na restrição de acesso.
A tecnologia como aliada
Na busca por novas aquisições, os métodos tradicionais ainda mantêm sua relevância, com especialistas de casas de leilão (31%), consultores de arte (30%), artistas (29%) e galeristas (27%) sendo fontes importantes de aconselhamento. No entanto, o cenário digital e a inteligência artificial (IA) estão transformando a dinâmica do mercado. Redes sociais como Instagram e X/Twitter foram citadas por 32% dos colecionadores como fontes de informação, com uso particularmente alto entre a Geração Z e mulheres.
A adoção de aplicativos e ferramentas de IA por colecionadores saltou cinco vezes desde 2024, de 4% para 22% em 2026. Uma maioria expressiva (mais de 60%) demonstra otimismo quanto ao impacto positivo da IA em áreas como descoberta de obras, aconselhamento personalizado, verificação de proveniência e autenticidade, e análise de valor. Essa confiança sugere que a tecnologia se tornará cada vez mais integrada ao processo de colecionismo.
Implicações e o futuro do mercado
As descobertas do relatório sugerem uma mudança de paradigma no mercado de arte, impulsionada por uma geração que combina poder aquisitivo com afinidade tecnológica e uma busca por novidades. A ascensão da Geração Z como principal força de gastos e a integração crescente de ferramentas digitais e IA indicam um futuro onde a descoberta e a aquisição de arte serão mais dinâmicas e personalizadas.
Embora preocupações com transparência de preços e segurança de dados persistam, o panorama geral é de otimismo. Cerca de 57% dos entrevistados preveem crescimento para o mercado de arte no restante de 2026, com essa projeção subindo para 60% em uma década. A Geração Z, em particular, é a mais otimista em todos os horizontes de tempo, sinalizando sua confiança no potencial de valorização e na evolução contínua do setor.
As dinâmicas observadas no mercado global de arte, com a Geração Z liderando em gastos e inovação, levantam questões sobre como esse comportamento se refletirá em mercados locais, incluindo o brasileiro. A adaptação de galerias, consultores e plataformas digitais às preferências e ferramentas preferidas por essa nova leva de colecionadores será crucial para o sucesso futuro. A forma como a privacidade e a exposição de coleções serão gerenciadas em um ambiente cada vez mais conectado também é um ponto a se observar.
O que o futuro reserva para a interação entre arte, tecnologia e uma nova geração de colecionadores? A consolidação da IA como ferramenta indispensável na curadoria e aquisição, a evolução das plataformas digitais para oferecer experiências mais imersivas e seguras, e a potencial democratização do acesso a obras de arte de valor são apenas algumas das vertentes a serem acompanhadas. A resiliência e a capacidade de adaptação do mercado às demandas de uma geração com hábitos de consumo e pesquisa radicalmente diferentes definirão os próximos capítulos deste setor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hypebeast





