O período eleitoral de 2026 no Brasil se aproxima, e com ele a expectativa de volatilidade nos mercados, especialmente no câmbio. Um relatório recente do Goldman Sachs lança luz sobre o que os investidores podem esperar do dólar frente ao real, baseando-se em análises de ciclos eleitorais anteriores desde 2006.

O banco de investimento observa que as posições compradas em real brasileiro, uma estratégia comum para operações de carry trade, permanecem populares. Os níveis atuais desses carregamentos são comparáveis aos de 2022 e anteriores a 2006 e 2010. Contudo, os números de operações superam os de 2018, um reflexo direto das altas taxas de juros reais no Brasil, que oferecem retornos atrativos. Em contraste, em 2014, o carry trade era mais robusto, mas com juros reais menores devido à inflação mais elevada.

Contexto Macroeconômico e Juros Reais

O cenário de juros reais elevados no Brasil, embora benéfico para o carry trade, é também sintoma de um déficit fiscal nominal superior a 9% do PIB. Embora o déficit primário, em torno de 0,7% do PIB, não pareça alarmante em termos absolutos, seu aumento nos últimos anos o distancia do superávit necessário para estabilizar a dívida pública no médio prazo, estimado entre 2% e 3% do PIB. Essa dinâmica fiscal complexa adiciona uma camada de incerteza ao ambiente econômico, influenciando as projeções para o câmbio.

A análise do Goldman Sachs destaca a correlação histórica entre os resultados do primeiro turno eleitoral e o comportamento do mercado cambial. A intensidade da disputa em temas de política econômica é um fator determinante para a trajetória do dólar. Em pleitos como os de 2006 e 2010, onde as eleições não foram percebidas como "momentos decisivos", a movimentação cambial foi mais estável. Em 2022, por outro lado, um segundo turno acirrado e um Congresso de centro-direita resultaram em uma valorização de 4,5% do dólar ante o real, um padrão similar ao observado em 2014.

O Impacto dos Desdobramentos Pós-Eleição

A conclusão central do Goldman Sachs é que o resultado eleitoral definitivo exerce menos influência sobre as tendências da moeda do que os desdobramentos concretos que se seguem. Para as eleições de 2026, a política econômica, mais do que o partido vencedor, será o fator crucial para a trajetória do dólar. Os primeiros movimentos dos eleitos em relação a políticas econômicas serão observados atentamente.

Após o período eleitoral, as condições externas tendem a retomar seu papel como determinantes primários do câmbio, superando as dinâmicas domésticas. O relatório cita o caso de 2014, quando a nomeação de ministros "mais ortodoxos" por Dilma Rousseff levou a uma valorização do real. No entanto, o real se enfraqueceu em 2015, influenciado por fatores domésticos como estagflação e um cenário externo adverso, com o dólar se fortalecendo globalmente e os preços de commodities em queda.

Sinais a Serem Observados

Em 2018, após a eleição de Jair Bolsonaro, o mercado focou na implementação de reformas em um Congresso fragmentado. Sinais de lentidão na reforma da Previdência contribuíram para a depreciação do real. Em 2022, a preocupação com o aumento de gastos públicos se tornou proeminente, apesar de investidores terem aproveitado o resultado para realizar lucros em posições compradas em real.

O Goldman Sachs sugere que o foco em 2026 deve estar menos no resultado imediato da eleição e mais nas ações concretas que os futuros governantes tomarão em relação à política fiscal e econômica. A capacidade de sinalizar compromisso com a estabilidade e responsabilidade fiscal será fundamental para mitigar a volatilidade cambial e atrair investimentos, mesmo em um cenário global incerto.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney