Novas imagens revelam a transformação em curso no Thompson Center, em Chicago. O icônico edifício pós-modernista, projetado nos anos 1980 por Helmut Jahn, está sendo completamente reformado para abrigar a futura sede do Google na cidade. A mudança mais visível até agora é a instalação de uma nova fachada de vidro, que substitui o design original e demarca o início de uma nova era para o prédio.

Adquirido pelo Google em 2022, o edifício foi salvo de uma demolição iminente, um destino que pairava sobre a estrutura desde 2015. Agora, sob a direção do mesmo escritório de arquitetura que o concebeu, o Jahn, o projeto levanta uma questão central: como uma gigante de tecnologia reinterpreta um legado arquitetônico para as demandas do século 21, equilibrando preservação e modernização?

A eficiência sobre a estética

A resposta inicial está na nova "pele" do edifício. O vidro original, levemente escurecido e com um padrão distinto que era uma marca do pós-modernismo, deu lugar a uma parede de cortina de vidro triplo, uniforme e elegante. Segundo uma reportagem da publicação de design e arquitetura Dezeen, a troca é parte de uma estratégia para melhorar drasticamente o desempenho ambiental da construção — uma prioridade para o Google.

A decisão, contudo, tem um custo estético. As primeiras fotos mostram um acabamento mais reflexivo e genérico do que o sugerido nas renderizações iniciais, que prometiam mais transparência. O movimento troca o caráter idiossincrático e controverso do design de Jahn por uma linguagem corporativa global, onde a eficiência energética e uma imagem de modernidade parecem prevalecer sobre a identidade histórica.

Um futuro híbrido, público e privado

A renovação vai além da fachada. O monumental átrio central de 17 andares, uma das características mais marcantes do Thompson Center, também será modernizado. A promessa é que o espaço permaneça aberto ao público, integrando restaurantes, cafés e áreas de trabalho, num modelo que mescla o campus corporativo com a praça urbana.

Essa abordagem segue uma tendência de outras sedes de big techs, que buscam se integrar ao tecido da cidade de forma controlada. O projeto, com conclusão prevista para 2027, é um teste para a capacidade do capital de tecnologia de atuar como um guardião do patrimônio urbano, e não apenas como um consumidor. O Google salvou o Thompson Center da destruição, mas o preço dessa salvação é uma nova identidade, moldada por seus próprios valores e necessidades.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen