A gigante espanhola de energia Iberdrola está acelerando a adoção de inteligência artificial em uma escala notável. A companhia informou que já possui cerca de 500 “agentes de IA” implementados ou em fase de desenvolvimento para dar suporte a diversas atividades do grupo, desde a operação de redes até funções administrativas.

Segundo reportagem da Forbes Espanha, a estratégia não é substituir, mas aumentar a capacidade de seus profissionais. A tese da empresa, que se autodenomina a “utility de IA do futuro”, é que a combinação de experiência humana com a automação inteligente será a chave para liderar a transformação do setor elétrico. Para uma empresa do porte da Iberdrola, controladora da Neoenergia no Brasil, o movimento sinaliza a transição da IA de projetos-piloto para uma ferramenta de produtividade em massa.

Do chatbot à turbina

A aplicação dos agentes de IA na Iberdrola vai muito além dos já conhecidos chatbots de atendimento. A companhia está integrando essa tecnologia no coração de suas operações. Na gestão de redes elétricas, a IA é usada para antecipar possíveis falhas e agilizar o restabelecimento do fornecimento. Nas centrais de geração, auxilia no planejamento de manutenções e no acesso rápido a conhecimento técnico para a gestão de ativos.

As áreas corporativas, como financeira e jurídica, também utilizam os agentes para otimizar funções administrativas e automatizar tarefas repetitivas. O conceito de “IA agêntica” é central aqui: são sistemas que não apenas respondem a comandos, mas executam ou auxiliam em processos complexos, atuando como um copiloto para as equipes humanas em tarefas de alta complexidade.

O fator humano no centro

Um ponto crucial da estratégia da Iberdrola é a forma como a tecnologia está sendo implementada: de maneira “progressiva e responsável”, mantendo o controle e a decisão final nas mãos das pessoas. A companhia está investindo em programas de formação para que os próprios funcionários identifiquem oportunidades e desenvolvam novos casos de uso, transformando a IA em um catalisador de inovação interna.

Essa abordagem busca mitigar a resistência cultural e integrar a tecnologia de forma orgânica ao dia a dia. Ao invés de uma imposição de cima para baixo, a Iberdrola aposta que o empoderamento dos times para usar a IA em seus próprios desafios de negócio é o caminho mais eficiente para gerar valor. O movimento indica que a maturidade na adoção de IA corporativa depende tanto da tecnologia quanto da cultura organizacional.

O passo da Iberdrola é um estudo de caso sobre como um setor tradicional e de infraestrutura crítica pode alavancar a IA para ganhos de eficiência e resiliência. A escala da implementação sugere que a tecnologia deixou de ser uma aposta de futuro para se tornar uma ferramenta presente e mensurável no balanço da companhia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España