Peter Thiel, o bilionário cofundador do PayPal e da Palantir, está alinhando seu capital à sua mais recente convicção ideológica: a Argentina sob o governo de Javier Milei. Seu fundo, Thiel Macro LLC, revelou uma participação de aproximadamente 1% na Vista Energy, a maior operadora independente de petróleo da Argentina e uma peça-chave na exploração da formação de Vaca Muerta. O investimento, avaliado em cerca de US$ 76 milhões, foi detalhado em um registro na SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA.

O movimento transcende uma simples alocação de portfólio. É um gesto que conecta a aposta financeira de Thiel ao seu conhecido alinhamento libertário e ao seu recente e notório interesse pelo país vizinho. A leitura é que Thiel não está apenas comprando ações de uma petroleira, mas sim uma tese sobre a viabilidade do projeto de desregulamentação e abertura econômica prometido por Milei, do qual o setor de energia é um pilar central.

O capital segue a convicção

A posição na Vista Energy, composta por 1,189 milhão de ADS (certificados de depósito de ações), já figura como o segundo maior investimento do fundo de Thiel, atrás apenas de sua posição na Amazon. A escolha da empresa não é aleatória. Fundada em 2017 por Miguel Galuccio, ex-CEO da estatal YPF, a Vista se consolidou como um veículo de crescimento focado nos vastos recursos de shale oil e gás de Vaca Muerta, com listagem dupla em Nova York e no México.

O contexto pessoal de Thiel empresta ainda mais peso à transação. Conforme reportado pelo Financial Times, o investidor, um dos grandes doadores do Partido Republicano nos EUA, mudou-se temporariamente para Buenos Aires, atraído pela agenda de Milei. Sua aposta na Vista Energy, portanto, pode ser interpretada como a materialização financeira de um interesse que até então parecia ser puramente político e pessoal, transformando simpatia ideológica em capital de risco.

Vaca Muerta no centro da tese

Investir na Vista é, em essência, uma aposta direta no futuro de Vaca Muerta, uma das maiores reservas não convencionais de hidrocarbonetos do mundo. O sucesso da exploração depende de forma crítica de um ambiente regulatório estável e de políticas pró-investimento – exatamente o que a administração Milei promete entregar. Para Thiel, o risco político, historicamente o maior entrave da Argentina, parece estar precificado com um potencial de alta que justifica a aposta.

Para outros investidores internacionais, o movimento de uma figura como Thiel funciona como um sinalizador. Sua disposição em colocar dezenas de milhões de dólares em um ativo argentino pode encorajar outros fundos a reavaliar o país, olhando para além de seu histórico de instabilidade econômica. É um voto de confiança de um investidor conhecido por suas teses contrárias e de longo prazo.

A aposta de Thiel servirá como um termômetro para o apetite do capital estrangeiro pela nova Argentina. O sucesso ou fracasso de seu investimento na Vista Energy não será apenas uma nota de rodapé em seu portfólio, mas um indicativo relevante sobre a capacidade do experimento libertário de Milei em transformar o potencial energético do país em retornos concretos e, talvez, em uma recuperação econômica mais ampla.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España