A Indra, uma das principais empresas de defesa e tecnologia da Europa, apresentou seu novo míssil de cruzeiro de baixo custo, batizado de SQUALL. O lançamento ocorreu durante a Unvex, principal feira de drones da Espanha, e, segundo a Forbes do país, o sistema foi projetado para ataques em massa contra alvos a centenas de quilômetros de distância.
A apresentação não é apenas o lançamento de um novo produto, mas um aceno claro às novas realidades do campo de batalha. Em conflitos como o da Ucrânia, a eficácia de sistemas baratos e descartáveis, como drones kamikaze, para sobrecarregar defesas aéreas sofisticadas e caras, redefiniu o cálculo estratégico. O SQUALL é a resposta de um player tradicional a essa nova doutrina: a guerra de atrito, onde o custo-benefício pode ser tão decisivo quanto a tecnologia de ponta.
A lógica da saturação
O conceito por trás do SQUALL é simples e letal: saturação. Em vez de depender de poucos mísseis hipersofisticados e caros, a estratégia é lançar um enxame de unidades mais baratas para sobrecarregar as defesas inimigas. A própria Indra destaca que o sistema pode ser usado tanto em ataques cirúrgicos quanto em "ataques em massa" sincronizados. Para isso, o míssil voa em baixa altitude para evitar radares e possui múltiplos sistemas de guiagem para resistir a interferências.
A lógica é fundamentalmente econômica. Forçar um adversário a usar interceptadores que custam milhões de dólares para neutralizar ameaças que custam uma fração do valor cria uma vantagem assimétrica insustentável a longo prazo. É uma aposta calculada no desgaste dos recursos e da capacidade industrial do oponente, transformando o balanço financeiro em uma arma de guerra.
Soberania e escalabilidade
Outro pilar do projeto SQUALL é a resiliência da produção. A Indra fez questão de ressaltar que o design se apoia em uma "cadeia de suprimentos nacional, confiável e resiliente", com soberania sobre os componentes. Essa não é uma questão trivial. A pandemia e a guerra na Europa expuseram a fragilidade das cadeias logísticas globais, especialmente para componentes críticos de defesa.
A capacidade de escalar a produção rapidamente em momentos de crise, sem depender de fornecedores externos, torna-se uma vantagem estratégica decisiva. Para a Espanha e para a Europa, ter sistemas como o SQUALL, que são não apenas eficazes mas também produzíveis em larga escala e com autonomia, é um passo fundamental na busca por maior soberania estratégica em um cenário geopolítico cada vez mais incerto.
O SQUALL integra-se à crescente família de sistemas não tripulados e de ataque da Indra, todos pensados para operar em uma "nuvem de combate" com uso crescente de inteligência artificial. O movimento mostra que a corrida armamentista do século 21 não será travada apenas com tecnologia, mas também com planilhas de custo e linhas de montagem eficientes.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





