A Expert XP 2026, evento que se consolida como um dos principais palcos de discussão sobre o futuro dos negócios no país, confirmou um painel de peso para debater a perenidade corporativa. Sob o título “Construído para durar: Como grandes líderes constroem empresas que atravessam gerações”, a conversa reunirá nomes centrais da economia brasileira: Gilberto Tomazoni, da JBS; Paulo Moll, da Rede D’Or; Ederson Muffato, do Grupo Muffato; e André Bier Gerdau Johannpeter, da Gerdau. A mediação ficará a cargo de Rafael Furlanetti, sócio e diretor institucional da XP.

A presença desses executivos em um mesmo ambiente de debate não é trivial. Ao reunir líderes de setores tão distintos quanto proteína animal, saúde hospitalar, varejo alimentar e siderurgia, a organização do evento busca extrair padrões de gestão que permitam a sobrevivência de companhias em cenários macroeconômicos voláteis. A discussão promete ir além do discurso corporativo, focando em como a inovação e a produtividade são incorporadas sem comprometer a estabilidade de longo prazo.

A busca pela perenidade no cenário brasileiro

A longevidade empresarial no Brasil impõe desafios singulares, marcados por ciclos de instabilidade econômica e mudanças regulatórias frequentes. Empresas como a Gerdau, com mais de um século de história, e grupos familiares que se profissionalizaram, como o Muffato, oferecem estudos de caso valiosos sobre a transição de modelos de negócio. O que se observa no mercado é que a capacidade de adaptação dessas companhias não reside apenas no tamanho, mas na disciplina de alocação de capital e na sucessão estruturada.

Para a JBS e a Rede D’Or, a escala é um componente crítico, mas a sustentabilidade do crescimento depende de uma governança que consiga equilibrar a expansão inorgânica — via aquisições estratégicas — com a eficiência operacional diária. O painel deve explorar como esses grupos calibram a pressão por resultados trimestrais e a necessidade de investimentos em tecnologia e ESG, temas que hoje definem o acesso ao crédito e a confiança dos investidores institucionais.

Mecanismos de adaptação e cultura organizacional

O debate sobre a longevidade frequentemente esbarra na cultura organizacional. Em corporações de grande porte, o desafio é manter o espírito de inovação enquanto se preservam os valores que deram origem ao negócio. A Gerdau, por exemplo, tem demonstrado um esforço contínuo em modernizar seus processos produtivos e digitais, enquanto a Rede D’Or expande sua rede hospitalar focando em integração tecnológica e qualidade assistencial, dois pilares essenciais para garantir a fidelidade do mercado.

Os incentivos para esse movimento focado no horizonte longo são claros: a sobrevivência em um mercado globalizado exige que empresas brasileiras não sejam apenas eficientes localmente, mas competitivas em padrões internacionais. Nesse contexto, a longevidade atua, acima de tudo, como um exercício de gestão de riscos, em que a diversificação de portfólio e a solidez financeira funcionam como amortecedores contra as crises cíclicas que historicamente afetam o Brasil.

Tensões estratégicas e o papel dos stakeholders

As implicações desse debate tocam diretamente em como o mercado de capitais enxerga o risco de execução da liderança atual. Investidores buscam empresas que demonstrem capacidade de renovação sem perder a essência. Para reguladores e concorrentes, as decisões dessas gigantes servem como balizadores de tendências, especialmente em infraestrutura e serviços essenciais, onde o impacto de uma falha de governança é sistêmico.

Além disso, a programação do evento também expande as discussões para a mobilidade urbana, com espaços reunindo líderes de operações como Localiza&Co e BYD Brasil. O objetivo é conectar a necessidade de planejamento de longo prazo com a transição energética — possivelmente o maior teste de resiliência que grandes corporações enfrentarão nas próximas décadas.

Perspectivas e incertezas futuras

O que permanece em aberto é a velocidade com que essas grandes estruturas, por vezes burocráticas, conseguirão absorver as mudanças trazidas pela inteligência artificial e pela digitalização acelerada dos processos de consumo. O histórico positivo dessas empresas, embora seja um ativo, pode se tornar um peso se a cultura interna resistir às transformações disruptivas necessárias para a próxima geração de crescimento.

O mercado observará atentamente como os debatedores traduzem a teoria da perenidade em decisões táticas para os próximos anos. A Expert XP 2026 oferece um diagnóstico crucial sobre o estado atual do capitalismo brasileiro e suas perspectivas diante de um mundo em constante reconfiguração tecnológica e social.

A sobrevivência das grandes corporações nacionais continua sendo um dos temas mais relevantes para o ecossistema que busca alocação em ativos resilientes para a próxima década. Com reportagem de Brazil Valley

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