A Jeitto, aplicativo de crédito e consumo, reportou um aumento de 470% no volume de crédito recuperado através do WhatsApp em um período de seis meses. O salto, registrado entre janeiro e julho de 2026, foi creditado à incorporação de inteligência artificial em sua estratégia de cobrança, desenvolvida em parceria com a Monest. Segundo a reportagem do portal TIInside, o retorno sobre o investimento (ROI) da operação cresceu 181% no mesmo período.
O resultado ataca um dos desafios centrais para fintechs que operam com tíquetes médios baixos: a viabilidade econômica da recuperação de crédito. A tese do projeto foi demonstrar que a IA poderia fazer mais do que automatizar mensagens, servindo como um cérebro analítico para otimizar toda a cadeia de cobrança, desde a segmentação da carteira até a definição do momento e da abordagem mais eficaz para cada cliente.
Da régua de cobrança ao algoritmo
A mudança fundamental na operação do Jeitto foi o uso de dados para direcionar os esforços. Em vez de uma régua de cobrança padronizada, a tecnologia da Monest passou a analisar o comportamento dos clientes para identificar perfis com maior propensão a negociar. Um dos principais insights foi focar a estratégia em dívidas recentes, com até 30 dias de atraso — um segmento que antes não era priorizado com a mesma intensidade.
A análise de padrões mostrou que uma abordagem antecipada e personalizada neste grupo tinha alto potencial para evitar a evolução do atraso. Com isso, a IA passou a orientar não apenas o texto da mensagem, mas o timing do envio e as tentativas automáticas de contato caso a primeira abordagem não gerasse resposta, elevando a taxa de interação de 5,3% para 11,3%.
Inteligência, não só automação
O caso ilustra uma aplicação mais sofisticada da inteligência artificial, que transcende a simples automação de tarefas. A tecnologia foi usada para transformar a estratégia de negócio em ação, como afirmou Gleici Galasse, gerente de Recuperação de Crédito do Jeitto. O objetivo era tornar a negociação mais "personalizada, fluida e empática", um contraponto à imagem fria das cobranças automatizadas.
Para a Monest, o projeto provou que a performance em carteiras de baixo tíquete dependia menos do perfil da dívida e mais de "alcançar os clientes certos, no momento mais adequado", segundo seu CEO, Thiago Oliveira. O resultado foi um aumento de eficiência sem a necessidade de escalar a equipe humana na mesma proporção, validando o WhatsApp como um canal estratégico para negociação, especialmente nas faixas iniciais de inadimplência.
O movimento do Jeitto sinaliza como a IA está se tornando um componente central na arquitetura operacional de fintechs, otimizando processos cruciais como a recuperação de crédito. A lição é que o maior valor do algoritmo não está em apenas fazer o trabalho mais rápido, mas em fazer o trabalho de forma mais inteligente, alterando positivamente a economia do negócio.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





