O JPMorgan decidiu reduzir a recomendação para as ações da Natura (NATU3) de overweight para neutra, sinalizando um ceticismo renovado em relação à capacidade da empresa de reverter seu quadro operacional. A mudança, anunciada nesta quarta-feira, vem acompanhada de um novo preço-alvo de R$ 8,50 para dezembro de 2027, substancialmente inferior aos R$ 11 projetados anteriormente para dezembro de 2026. A justificativa do banco de investimento aponta para novas preocupações com a execução da gestão, um desempenho operacional enfraquecido e uma menor confiança na sustentabilidade dos lucros futuros.
Novos ventos de cautela
A conclusão do processo de simplificação da Natura, que incluiu a venda integral da Avon International fora da América Latina, foi reconhecida pelo JPMorgan como um movimento que reduziu riscos extremos para a tese de investimento. No entanto, essa medida não foi suficiente para compensar o surgimento de novas preocupações operacionais. A tese de melhora na geração de caixa, que era um dos pilares da recomendação anterior, não está se concretizando conforme o esperado. Além disso, o valuation das ações não parece especialmente atraente quando comparado aos pares do setor, especialmente diante do fraco momento operacional, dos problemas de execução e da perspectiva de mais um ciclo de recuperação dos negócios.
Desempenho operacional e Avon sob escrutínio
Um dos principais motivos para a cautela do JPMorgan reside no desempenho da Avon na América Latina. Segundo o banco, as tendências operacionais da marca na região continuam fracas, mesmo após ajustes nas estratégicas de marca. A visibilidade sobre a receita no curto prazo permanece baixa, com dificuldades persistentes no canal de venda direta, um ambiente de consumo desfavorável e um cenário competitivo em rápida transformação. Esses fatores, na visão da instituição, reduzem a confiança sobre a trajetória dos resultados em um momento que a companhia já atravessa outra etapa de transformação.
Valuation e qualidade dos lucros
O corte na recomendação ocorre mesmo após uma forte desvalorização das ações da Natura. Nos dois meses anteriores à publicação do relatório, NATU3 acumulava queda de 20,8%, o pior desempenho entre os papéis analisados pelo JPMorgan naquele comparativo. O valuation também está bastante descontado em relação ao histórico: as ações negociam a 8,4 vezes o lucro projetado, um desconto de 72% frente à média histórica considerada pelo banco (29,5 vezes). Contudo, esse desconto não é suficiente para convencer o JPMorgan, que estima que a companhia negocie a aproximadamente 7 vezes o lucro de 2027 e 6 vezes o de 2028. A instituição não identifica diferenciação relevante em relação aos pares que justifique manter uma visão mais positiva no curto prazo diante dos riscos para os resultados. A análise de qualidade dos lucros para 2027 também levanta preocupações, com apenas 19% do resultado classificado como operacional, enquanto 65% está associado a incentivos de ICMS e outros 15% a subvenções tributárias.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





