A Executiva Nacional da federação Rede-PSOL interveio na política mineira, desfazendo o apoio à candidatura de Alexandre Kalil (PSD) ao governo do estado para formalizar uma aliança com o deputado federal Patrus Ananias (PT). A decisão, tomada na noite de terça-feira, atende a um apelo da direção do PSOL em Minas Gerais, que resistia à composição da chapa de Kalil.

O pivô da discórdia foi a escolha do deputado Carlos Mosconi (PSDB) como vice de Kalil. Mosconi é um nome ligado ao grupo político do ex-governador Aécio Neves, uma figura tóxica para a militância do PSOL. O movimento não é apenas uma troca de nomes, mas um sintoma das dificuldades estruturais na montagem de frentes amplas nos estados, onde velhas rivalidades e barreiras ideológicas falam mais alto que a estratégia nacional.

A matemática da frente ampla

A estratégia de Kalil era clara: ao trazer um nome do PSDB para sua chapa, o ex-prefeito de Belo Horizonte buscava ampliar seu apelo para além do campo da esquerda, dialogando com o eleitorado de centro. Trata-se de um cálculo pragmático, comum em um estado complexo e pulverizado como Minas Gerais, onde vencer no primeiro turno é uma tarefa hercúlea. A aposta era que a força de uma coalizão heterogênea superaria o atrito ideológico.

Contudo, para o PSOL, a aliança com um quadro historicamente ligado ao tucanato mineiro representou uma linha vermelha intransponível. A intervenção do diretório nacional, anulando a decisão local inicial, mostra que a coesão ideológica e a satisfação da base militante pesaram mais do que o potencial alcance eleitoral da chapa de Kalil. Como afirmou a presidente do PSOL mineiro, Iza Lourença, a mudança busca ser “coerente com a nossa história”.

O episódio em Minas Gerais serve como um microcosmo para os desafios que se desenham no tabuleiro nacional. Enquanto em Brasília se costuram acordos para unificar a oposição, a execução no nível estadual esbarra em um xadrez muito mais complexo e pessoal. A aliança em torno de Patrus Ananias pode ter se tornado mais coesa, mas a pergunta que fica é se ela se tornou, de fato, mais competitiva.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times