A KPMG LLP está consolidando suas funções de inteligência artificial, inovação e ecossistema em uma nova unidade estratégica, a Client Technology & Innovation (CT&I). A mudança, que entra em vigor em 22 de setembro, visa acelerar a criação de negócios nativos de IA com a agilidade de startups. Para liderar essa iniciativa, a empresa nomeou Todd Lohr, um veterano de 15 anos na KPMG, para um novo cargo de vice-chair com reporte direto ao CEO, Tim Walsh. Essa estrutura ambiciosa sinaliza que a consultoria enxerga a IA não apenas como uma atualização tecnológica, mas como um motor fundamental para o futuro de seus negócios e serviços.

O Novo Centro de Inovação da KPMG

A CT&I representa uma aposta estrutural da KPMG para enfrentar a disrupção que a inteligência artificial impõe ao modelo tradicional de serviços profissionais. Ao criar uma unidade com um líder singular reportando diretamente ao CEO, a KPMG busca contornar as camadas de comitês usualmente envolvidas nas decisões, imprimindo maior velocidade e foco na transformação. Todd Lohr, que já vinha defendendo uma estrutura semelhante há anos, enfatiza a necessidade de um líder com autoridade direta para impulsionar as mudanças transformadoras exigidas pela empresa. O lançamento da CT&I coincide com a aposentadoria de Steve Chase, que liderava a área de IA e Inovação Digital da KPMG.

Por que Agora e Por Que Lohr?

A escolha de Todd Lohr, 49 anos, para liderar a CT&I não é uma contratação externa para injetar um DNA de Vale do Silício. Lohr é um operador interno, com vasta experiência na construção de relações e na comercialização de soluções que a CT&I pretende desenvolver. Ele foi fundamental na criação das primeiras práticas de dados e IA da KPMG, gerenciou o negócio de tecnologia nos EUA, incluindo cibersegurança, e liderou parcerias tecnológicas com terceiros. Sua trajetória inclui a arquitetura da aliança da KPMG com a Anthropic, além de gerenciar parcerias existentes com gigantes como Google Cloud, Microsoft e OpenAI. Sua experiência anterior como cofundador de uma startup de serviços financeiros, apesar de ter começado em um ano desafiador para o mercado, o qualifica, segundo ele, para gerenciar o que descreve como um "estúdio de venture" interno, com "desenho inspirado em incubadoras do Vale do Silício".

O Que a CT&I Fará de Fato?

A nova organização de Lohr é composta por quatro pilares que vão além de um típico "escritório de IA". O primeiro é a estratégia de produtos e plataformas, focada em entregar produtos para clientes, não apenas ferramentas internas. O segundo é a infraestrutura comercial, que visa desenvolver novas abordagens de go-to-market e estruturas de negócios com termos comerciais distintos dos tradicionais. O terceiro pilar abrange a estratégia de IA e dados para toda a firma, um mandato estratégico que antes pertencia ao grupo de IA e Inovação Digital. Finalmente, o quarto pilar é a inovação e incubação, operando como um estúdio interno que incubará um portfólio de "jogadas de disrupção de ponta" (edge disruption plays) com estruturas de capital e rotas de mercado variadas, explicitamente destinadas a desafiar as próprias linhas de serviço centrais da KPMG.

Implicações e o Futuro da Consultoria

Cada "empresa de ponta" dentro da CT&I terá o mandato de construir e escalar com múltiplas rotas de saída, incluindo a reintegração ao negócio principal da KPMG, a cisão com capital externo ou a operação como uma joint venture autônoma com um parceiro tecnológico. Lohr expressa a esperança de que uma empresa avaliada em um bilhão de dólares possa surgir dessa iniciativa. A consultoria, segundo ele, possui um grande potencial em "ideias" e "talento", mas historicamente tem enfrentado dificuldades em "transformar essas ideias em lentes comerciais". A KPMG tem investido nos últimos anos na educação de sua diretoria e conselho sobre disrupção, com reuniões estratégicas em Silicon Valley. O objetivo é que a experiência em "empresas de ponta" torne os profissionais "melhores contadores" e "melhores consultores" ao retornarem aos seus papéis tradicionais. A recente descoberta de citações fabricadas em um relatório da KPMG International, onde 40 de 45 citações foram identificadas como inexistentes, ressalta a "enorme responsabilidade" que acompanha o uso da IA, como alertou Lohr. A empresa lançou uma ferramenta interna, Hawk, para avaliar alucinações de IA em seus conteúdos, mas o escopo da CT&I vai além da transformação interna, focando na forma como a KPMG servirá seus clientes no futuro.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune