A Kronor Capital, escritório de assessoria de investimentos fundado em 2020, estabeleceu uma meta clara para os próximos anos: atingir R$ 5 bilhões sob custódia até 2028. Atualmente operando com cerca de R$ 2 bilhões e 1,2 mil clientes, a casa busca dobrar seu tamanho através de uma estratégia focada na internacionalização de patrimônio e no atendimento especializado ao público de alta renda.

Segundo reportagem do InfoMoney, o movimento de expansão reflete uma mudança estrutural no comportamento do investidor brasileiro, que tem buscado proteção contra a volatilidade local por meio de ativos globais. A Kronor, que conta com 35 profissionais, utiliza a infraestrutura da XP nos Estados Unidos para oferecer acesso a mais de 60 mercados internacionais, consolidando sua tese de que a diversificação geográfica é o novo padrão para a preservação de capital.

A migração do private banking tradicional

A gênese da Kronor está intrinsecamente ligada à migração de talentos oriundos de grandes instituições financeiras, como Bradesco, Itaú e Citibank. Carlos Henrique Giovanelli Elias, um dos sócios, trouxe uma bagagem de 25 anos de Bradesco, replicando um modelo de atendimento que prioriza a proximidade e o planejamento sucessório sobre a simples oferta de produtos.

Essa transição de executivos do setor bancário tradicional para o modelo de assessoria independente é um fenômeno que moldou o mercado brasileiro nos últimos anos. Ao importar a cultura de private banking para uma estrutura mais ágil, a Kronor conseguiu estabelecer um ticket médio três vezes superior à média de seus pares, provando que a sofisticação do serviço ainda é o principal diferencial competitivo no segmento de alta renda.

O mecanismo da internacionalização

A aposta da Kronor em mercados globais não é apenas uma estratégia de marketing, mas uma resposta direta à demanda dos clientes por moedas fortes e ciclos econômicos descorrelacionados do Brasil. Ao integrar planejamento patrimonial com alocação offshore, a empresa atende a uma necessidade latente de investidores que buscam mitigar riscos sistêmicos locais.

O mecanismo de crescimento da firma baseia-se em alinhar incentivos através de uma estrutura societária aberta, onde diversos profissionais participam do capital. Essa estratégia visa garantir a retenção de talentos seniores, essenciais para gerir carteiras complexas e manter a governança necessária para o público private, que exige uma visão integrada e de longo prazo de seu patrimônio.

Tensões no mercado de assessoria

O mercado de assessoria de investimentos no Brasil atravessa um momento de consolidação e aumento da concorrência. Enquanto a Kronor foca no atendimento personalizado, o setor como um todo enfrenta o desafio de provar valor em um cenário onde a digitalização das plataformas de investimento tornou o acesso a produtos financeiros, inclusive internacionais, praticamente uma commodity.

A pressão sobre as margens e a necessidade de oferecer serviços de valor agregado, como consultoria sucessória e estruturação de holdings, colocam escritórios como a Kronor em uma posição de disputa constante por profissionais qualificados. A capacidade de escalar sem perder a qualidade do atendimento ao cliente será o fiel da balança para os próximos anos.

Outlook para o segmento private

O futuro da Kronor dependerá da sua habilidade em equilibrar o crescimento acelerado com a manutenção da cultura interna e a qualidade técnica da equipe comercial. A meta de dobrar de tamanho até 2028 é ambiciosa, especialmente considerando a volatilidade inerente aos mercados financeiros e a necessidade de constante atualização regulatória e tecnológica.

Observar como o escritório irá gerir a expansão da base de clientes sem diluir a proposta de valor será fundamental. O sucesso da estratégia de internacionalização, combinada com a atração de novos sócios, definirá se a Kronor conseguirá se consolidar como um player relevante no cenário de alta renda brasileiro, competindo diretamente com as grandes casas de wealth management do país.

A expansão da Kronor reflete o amadurecimento do investidor brasileiro, que agora exige soluções globais. Resta saber se o modelo de assessoria independente, originalmente desenhado para a distribuição de produtos, conseguirá evoluir para uma consultoria patrimonial completa em escala nacional.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney