A italiana Lottomatica e a espanhola Cirsa anunciaram um acordo de fusão para criar um gigante global no setor de jogos e apostas esportivas, com um negócio combinado estimado em €34 bilhões. A operação dará origem ao segundo maior operador de capital aberto do setor no mundo, com posições de liderança consolidadas na Itália e na Espanha.

O mercado, no entanto, reagiu de formas opostas ao anúncio. As ações da Cirsa dispararam mais de 25% em dois dias, passando de €13,64 para €17,28. Já os papéis da Lottomatica, que orquestra a absorção, sofreram uma queda inicial de mais de 7% na bolsa de Milão, embora tenham recuperado parte do valor desde então. A leitura é que, embora a lógica industrial seja sólida, os investidores ainda digerem a complexa engenharia financeira da transação.

A arquitetura do negócio

A nova empresa manterá o nome Lottomatica e a sede em Roma, mas Cirsa terá uma segunda sede operacional em Barcelona. O acordo prevê que os acionistas da Cirsa recebam 0,668 novas ações da Lottomatica por cada papel que detêm. No momento do anúncio, a troca representava um prêmio de mais de 21% para os acionistas da empresa espanhola. Contudo, a valorização subsequente das ações da Cirsa e a queda da Lottomatica inverteram a equação, criando um desconto temporário em relação ao preço de mercado.

O ator central na transação é o fundo americano Blackstone, acionista majoritário da Cirsa. Com a fusão, o Blackstone se tornará o maior acionista individual da nova Lottomatica, com cerca de 24% do capital, e terá direito a dois assentos no conselho de administração. O movimento sinaliza a confiança de um dos maiores gestores de private equity do mundo na tese de consolidação do mercado europeu de apostas.

Sinergias e perspectivas

A fusão promete gerar sinergias de caixa anuais de aproximadamente €115 milhões até o terceiro ano após a conclusão do negócio. A nova entidade combinada terá um Ebitda ajustado de cerca de €2 bilhões, conferindo-lhe escala para competir globalmente. Analistas do Renta 4, citados pela Forbes España, destacaram a "lógica industrial sólida" e o "perfil de crescimento e geração de caixa atrativo" da operação.

Para os acionistas, a perspectiva é de retornos elevados. A administração projeta a possibilidade de distribuir até €4 bilhões em dividendos nos três anos seguintes à fusão. Além de continuar listada na Euronext Milan, a nova Lottomatica planeja uma listagem secundária nas bolsas espanholas, ampliando sua base de investidores. A conclusão da fusão está prevista para o segundo trimestre do próximo ano.

A criação de um colosso com liderança em dois dos maiores mercados regulados da Europa é inegável. O desafio, agora, será integrar as operações de dois campeões nacionais, entregar as sinergias prometidas e convencer o mercado de que a soma das partes vale mais do que a reação inicial dos investidores da Lottomatica sugere.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España