Madri volta a ouvir o ronco dos motores da Fórmula 1, e o som que mais chama a atenção, antes mesmo da largada, é o das cifras. Com a estreia do novo circuito de Valdebebas, a cidade projeta um impacto econômico de €467 milhões e a criação de 8.850 empregos, de acordo com uma análise preliminar da consultoria PwC, divulgada pela Forbes Espanha.

Os números são superlativos, mas a tese por trás deles é mais sutil. O movimento de Madri não é apenas sobre sediar uma corrida, mas sobre usar um megaevento como um catalisador econômico de base ampla. A verdadeira disputa, portanto, não será apenas na pista, mas na capacidade da cidade de converter o espetáculo temporário em valor duradouro e mensurável.

A economia por trás do espetáculo

O estudo da PwC detalha uma capilaridade que vai muito além do turismo óbvio. A indústria de manufatura, por exemplo, deve receber um impulso de €72 milhões; a hotelaria, €59 milhões; e a construção, €50 milhões. A consultoria estima um efeito multiplicador notável: para cada euro gasto diretamente no evento, outros 3,9 euros seriam gerados na economia regional. É um argumento poderoso contra a visão de que tais eventos beneficiam apenas um pequeno círculo.

Esse otimismo se apoia em dados concretos de demanda. Mais de 120 mil ingressos já foram vendidos, com 80 mil visitantes de fora de Madri e 45 mil de outros países. Esse fluxo de pessoas e capital, segundo as projeções, deve gerar cerca de €83 milhões em impostos e contribuições sociais, tornando o poder público um beneficiário direto da aposta.

Da projeção à realidade

Contudo, a própria PwC, que atua como parceira do evento, faz a ressalva de que estes são dados preliminares. A grande prova virá após a bandeirada final, quando um novo estudo irá auditar o impacto efetivo e contrastá-lo com as projeções. Essa disciplina de medição é o que diferencia uma aposta especulativa de uma estratégia de desenvolvimento urbano bem fundamentada.

O caso de Madri serve como um laboratório para uma questão global: como justificar investimentos massivos em megaeventos em um cenário de escrutínio fiscal e social? A resposta parece estar na diversificação do impacto, movendo o foco do gasto imediato do turista para a ativação de cadeias produtivas locais, da construção civil aos serviços profissionais.

O número de €467 milhões, portanto, não é a linha de chegada, mas o ponto de partida. Representa a dimensão da oportunidade. O sucesso do Grande Prêmio de Madri será medido não apenas pela emoção na pista, mas pela permanência do impulso econômico muito depois que os motores se calarem e as arquibancadas se esvaziarem.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España